Wednesday, June 13, 2007

Quando fez 50 anos, papai resolveu fazer uma pós-graduação na UFMG.

Na época, eu fui contra, pois era paga, via Fundação Cristiano Otoni e nós já estávamos apertados de grana. Porém, hoje revendo a história foi um dos troços mais ducaralhos que ele fez.

Papai fez tanta zona na turma. Levou máquina fotográfica, fotografou todo mundo, produziu um churrasco no campus, deu carona para o pessoal de fora de BH, fez amigos, conversou com todos os professores do dep., brigou com alguns, tirou sarro, ensinou, aprendeu um pouco, copiou trabalhos, desconversou, tocou violão, arrumou serviço no campus para ele e para os outros e etc.

Os colegas da pequena turma, após algumas semanas, simplesmente passaram a chamá-lo de "Mestre". Isso com todos os PhDs que rondam por lá.

Pois então, quando ele fez a cirurgia para tentar retirar o câncer, ainda faltava uma matéria para terminar os créditos. Diante da situação sensível o prof. autorizou a realização das provas em casa juntamente com um trabalho em dupla.

O colega Rubaiyat esteve aqui em casa com um gravador para registrar a apresentação do trabalho feita pelo papai. Antes, eles ligaram o rádio, já sintonizado na GeraesFM, para colocar uma música de fundo qualquer. Bem a calhar, estava tocando Desculpe Baby dos Mutantes!

A parte engraçada, dizem, é que no meio da gravação mostrada na sala de aula havia uma "ordem" nas falas do papai:

"Rubaiyat, pode mudar a transparência. Prossiga!"

Monday, June 04, 2007

Quando erámos muito pequenos, nas viagens para Barbacena, papai sempre nos perguntava se gostaríamos de ir pelo caminho mais longo ou pelo caminho mais curto.

Eu e minha irmã respondíamos em coro: "Pelo caminho mais curto!!"

Certa vez, nós voltamos de Barbacena com o vô Oswaldo. Quando chegamos em casa, papai nos perguntou como tinha sido a viagem. Nós falamos desanimados: "Ah... o vovô veio pelo caminho mais longo..."

Saturday, May 19, 2007

Atenção leitores! O caso que segue é a situação que mais ri na vida e aconteceu no final de 1999:

Quando tal modelo ficou comum, papai adquiriu um par de óculos multifocal, passando a enxergar bem melhor. Enxergando, inclusive, coisas que não devia.

Ele havia acabado de me pegar no cursinho Soma e já tinha pego o Rafa no St. Dorotéia e íamos todos p/ casa para almoçar, como habitualmente fazíamos. No sinal da Av. Augusto de Lima, prestes a virar o carro na rua da Bahia, papai olhava p/ a paisagem urbana ao redor do veículo, maravilhado com as coisas que ele agora podia enxergar de óculos.

"Tá vendo aquele letreiro ali?!" perguntava papai, se referindo a alguma coisa escrita num ônibus.
"Sim..." respondemos mal humorados
"Eu consigo ler. Que maravilha!"
"Tá vendo aquilo ali? Vocês enxergam?" e continuava ele perguntando maravilhado.

Percebendo que eu e meu irmão estávamos de saco-cheio, já com aquele mal humor de fome, papai nos pregou a seguinte peça. Ele continuou sua viagem visual girando sua cabeça vagarosamente para direita, exclamando como era bom ver os detalhes das coisas. Quando meu irmão, que estava no banco da frente, entrou no campo visual dele, papai fingiu assustar-se com a cara do Rafa vista através dos óculos pulando p/ o lado oposto no banco do carro.

Eu ri prá caralho! Durante minutos, da barriga doer de tanto rir! Foi muito engraçado!

Friday, May 11, 2007

Lá pelos idos de 1991, após muita insistência de minha mãe, meu pai contratou um advogado para adicionar o sobrenome do meu avô materno ao meu nome e de meus irmãos.

A explicação para isto de alguma maneira está relacionada com a psicanálise...

Então, era comum eu escutar minha mãe falar diversas vezes:
"Cesar! Você ligou para o Lúcio para olhar a mudança do nome das crianças??"
"Cesar! Você já ligou p/ o Lúcio?".
Mas o processo nunca saia do lugar.

Segundo o advogado, Lúcio, o papai até ligava, inclusive falavam quase 2 horas no telefone a cada ligação. O advogado explicava que já havia feito a petição e etc, mas precisava das certidões de nascimento. Papai parecia nunca entender, pois não enviava nossas certidões de nascimento.

Ontem, conheci por acaso esse advogado que tentou tocar esse processo maluco. Ele contou alguns casos do papai. Não lembrou onde se conheceram, mas comentou que antes de conhecer o casal "Cesar e Nivalda", eles eram uma espécie de lenda, pois vários amigos em comum os exaltavam, dizendo coisas do tipo: "Vocês tem que conhecer o Cesar e a Nivalda". Um casal em chamas.

Sunday, May 06, 2007

Certa vez, virou moda no Brasil a venda de quadros com brasões de famílias de origens portuguesas e espanholas. Esses quadros bordados e/ou impressos ficavam expostos em diversos lugares de BH.

Numa dessas exposições no BH Shopping, papai tirou um papel da pasta e muito interessado começou a fazer um croqui do brasão da família Pereira. Logo veio uma pessoa da empresa dizendo que ele não poderia copiar o brasão por causa de direitos autorais e tal...

Papai indignou-se na hora (como usual) e falou: "Meu amigo: eu é que vou te processar!" "Você está aqui, ganhando dinheiro indevidamente com o brasão da minha família!!".

O cara tentou contra-argumentar, mas não conseguiu diante da indignação de papai. Logo, ele acabou se recolhendo...

Monday, April 30, 2007

Meu primo Pedro Henrique me contou este caso acontecido a muito tempo atrás:

Uma vez minha tia hospedou papai em São José dos Campos. Na época, o apartamento era do lado de uma rodovia, e mesmo sendo um andar alto, o barulho era enorme.

Ao entrar no quarto, minha tia viu meu pai deitado com o travesseiro e as mãos sobre a cabeça.
Ela perguntou: "Cesar! Você está passando mal??".
Papai meio aborrecido respondeu: "Não sei como vocês conseguem dormir aqui! O barulho é infernal...".
Papai continuou: "Isto até explica o fato do Cláudio ser meio perturbado..." (Cláudio era o marido da minha tia. Um casamento que para variar não deu certo).

Monday, April 02, 2007

Universal

O Dr. Lucas Figueiredo me contou este caso do papai. Ele falou que na época que ele estava trabalhando para a Igreja Universal do Reino de Deus, executando a obra de uma igreja da UdRdD que ficava na Av. do Contorno um pouco antes da Av. Cristovão Colombo. Nesta época, ele ficou muito amigo dos pastores, inclusive a ponto de ser convidado a fazer o curso de pastor e etc. Pois então: havia um pastor lá, meio bronco, que era um dos mais chegados. Até um dia, que outro Pastor chegou e falou para o papai: "Você, Cesar, não vire as costas para o 'Pastor fulano' (o bronco)..." "mas por que?" "O 'Pastor fulano' é um ex-criminoso, já matou mais de 5 pessoas!!!"

Wednesday, March 28, 2007

Certa vez, nós hospedamos o pintor Emeric Marcier aqui em casa. Eu devia ter uns 4 anos. E como ele tinha todos os cabelos e barba brancos, papai falou que nós estávamos hospedando o papai Noel. Imaginem como eu não fiquei nas nuvens: papai conhecia o papai Noel e ele estava na minha casa de férias!

Sunday, March 18, 2007

Estive em São José dos Campos recentemente. Minha prima Andrea comentou que frequentemente quando um amigo ou familiar estava com (ou criava um) problema de locomoção para ir nos encontros com toda a família, papai dizia na maior naturalidade:

"Mas por que você não pega um avião??"

Saturday, February 24, 2007

Papai não tinha "papas na língua":

Após convencer um juiz federal e sua esposa a trocarem o arquiteto no início da obra, uma vez que o projeto não estava bom, na primeira reunião com a nova arquiteta, após ela ter apresentado seu projeto, papai foi logo falando:
"Isto é um absurdo! Não funciona!"
"Isto também não" E etc...

O juiz que posteriormente me contou o caso, rindo muito, falou que na hora a situação foi tensa. Sei que a arquiteta ficou magoada, porém nesta época papai tinha todas as desculpas para não medir as palavras!

Ainda, estimo que papai tenha feito mais de 200 residências na vida. Vocês querem o que de alguém assim?

Saturday, January 13, 2007

Tolerância zero.

Um pouco antes de adoecer, papai estava fazendo o projeto do aeroporto de Ituiutaba e Poço de Caldas para o DER. Nas idas e vindas, num desses restaurantes 24hrs de rodoviária, ele pediu para o balconista:
"Por favor, que gostaria de um ovo quente."
"Não temos ovo quente, Sr." Disse o atendente.
"Como assim??" Papai replicou.
"Isto mesmo!"
"Então sirva um pouco dessa água fervendo p/ café, aqui neste copo." Papai pediu. "Agora, me dê um ovo, ali, daquela pilha de caixas."

Após receber o ovo, papai colocou o mesmo dentro do copo de água e o balconista exclamou, imagino eu, perplexo: "Ah!! Então você queria um ovo cozido??"

Não sei quanto a vocês, mas existem algumas diferenças entre um ovo cozido e um ovo quente. E meu pai queria um ovo quente!

Thursday, December 28, 2006

Meu pai era um entusiasta! Como raramente se encontra um nos dias de hoje.

Acreditem: achei um papel com a sua letra escrito:
"Pessoas que já foram apresentadas a tecnologia GPS:
- Eduardo Eckenfels
- Sônia Salgado
- ...." E a lista ia crescendo com vários nomes de amigos.

Em 1996 papai gastou uma grana e comprou um GPS Garmin38. Ele, fascinado com a tecnologia, passou a explicar a todos os amigos o princípio de funcionamento (que não é trivial) do aparelho. Ele tinha a maior disposição para passar conhecimentos para frente!

Fazer uma lista como esta, é algo bem obsessivo. Mas eu achei a maior graça quando achei o papel. Demonstra bem o lado professor que papai tinha.

Saturday, December 16, 2006

Meu amigo Marcelo do Cefet, sugeriu que eu registrasse a sistemática que o papai falava para todos que costumavam sair do condomínio pela 1. vez:

"Você tem que engatar a segunda e esticar na pista de aceleração: nheeeemmmm!! [onomatopéia do barulho do motor]"
"Se não, pode vir um caminhão e passar por cima de você!! "
"Só após estar de terceira, na velocidade da via, é que você entra. E de uma vez!!"
Nessa hora, ele balançava a cabeça e os braços fazendo de conta que estivesse dirigindo e girando o volante. Era uma peça!

Segundo o Marcelo, mesmo a BR estando vazia, papai repetia esse procedimento. Era verdade.

Thursday, November 16, 2006

Um amigo do papai que também trabalha na Cemig, hoje me contou o seguinte caso:

Lá pelos idos de 2002 ele fez um monte de reclamações da Cemig para o papai, que respondeu impulsivamente: "Eu vou comentar tudo isto com o Aluísio Vasconcelos" (na época diretor, hoje presidente da Eletrobrás) como se as coisas pudessem ser revertidas de alguma maneira.

O amigo já sabia do extenso ciclo de relacionamentos do papai, mas mesmo assim ficou meio cabreiro: "Desde que não fale meu nome! Se eu chamasse José, tudo bem!... Mas R(...)" (Este amigo não tem nenhum homônimo na Cemig).

Saturday, November 04, 2006

Em 2001(acho), eu, papai e a Chel fomos a Juiz de Fora para o casamento do Paulo Cobucci e da Iole. Tudo foi ótimo.

Na volta, a estrada estava em reformas e em péssimas condições. Um caminhão dirigia de forma ameaçadora, várias vezes forçando a barra para ultrapassar o Escort na pista única. A situação lembrava um pouco aquele filme do Spielberg, "O Encurraldo". Quando papai ganhava distância do caminhão, o motorista alucinado soltava os freios na próxima descida, sendo necessário freiar o mesmo em cima do Escort.

Após conseguir distanciar bastante, papai resolveu parar no primeiro posto de polícia rodoviária para denunciar o motorista do caminhão.

"Seu pai está 'meio' nervoso. Tentem acalmá-lo" Disse um dos policiais.

Após o policial sair de perto, minha irmã falou: "Mal sabe ele, que ele é sempre assim..."

Eu achei graça. O jeito agitado do papai sempre sempre conquistava as pessoas.

Os policiais falaram que parariam o caminhão. Sem querer, ainda muito agitado, papai desafiou a autoridade deles:
"O motorista não vai parar!" "Ele não vai respeitar vocês!!"
"Eu quero só ver!" Disse o policial batendo na coronha da escopeta que estava apontada para o chão.
Quando havia festa das Rosas em Barbacena, minha irmã costumava levar algumas amigas de BH para lá. Numa dessas exposições, ela acabou não avisando uma amiga, porque a casa estaria cheia.

A amiga, chateada com a situação, convenceu a mãe à levá-la à Barbacena de carro já que não havia mais passagem de ônibus. Meu pai, também tocado pela situação se ofereceu p/ levar a amiga e a mãe a Barbacena. (Minha irmã deu um xilique, pelo o inusitado, quando soube pelo celular que eles já estavam a caminho!!!)

Seguem agora algumas reflexões:
- Realmente, papai tinha a típica personalidade sanguínea. Aquela pessoa para quem não existe tempo ruim. Convenhamos, ir de BH a Barbacena e voltar, tudo isto a noite, num carro velho, já numa época de grana curta: no mínimo, assusta as pessoas ditas normais.
- Fica ai o exemplo, não sei bem qual. Mas é mais uma história.
Um dos episódios mais marcantes da vida do meu pai, foi uma conversão súbita para a religião crente, logo após a falência da firma. (Não vou divagar sobre isto agora, mas é aquela história: até quem já é louco, pode ficar mais um pouco.)

Pois então, nesta época ele encontrou o Savinho (que encontrei ontem "por acaso" na Travessa) que me contou este caso:

O Savinho não estava acreditando que papai tinha virado crente. Até que no meio da pregação papai falou:
"Você já foi na missa das 10 da igreja do Carmo??"
"Não..." responde o Savinho.
"Pois então! Tem cada Mulher lá, que vc precisa ver!!"
Neste momento, o Savinho me disse ter rido muito e pensado: "Ah! Este é o Cesar que eu conheço".

Sunday, October 15, 2006

Se estivesse entre nós, hoje, papai faria 55 anos. Feliz aniversário!

...

Que loucura! É o rio do tempo passando! Haja coração!

Friday, September 22, 2006

Ria da minha vida antes que eu ria da sua.

Hj, não sei por que lembrei do seguinte caso que me fez rir novamente sozinho.

Estava eu e meu pai. Nós paramos o carro na Savassi para resolver alguma coisa, qnd percebemos que o talão de faixa-azul que ficava no porta luvas tinha acabado.
Eu perguntei: "E agora o que vamos fazer??"
E ele: "Observe!"
Papai comecou a picotar as folhas usadas do talão com a mão, recolhendo os números e colando com cuspe numa folha menos desbotada, até fazer uma folha nova!! Tudo em menos de um minuto. Na hora de riscar ele fez questão de preencher com uma caneta vermelha e outra preta, p/ que o talão ficasse bem esquisito!

Foi 10! Eu devia ter uns 11 anos na época.

Wednesday, September 20, 2006

Lendo na Wikipedia sobre a data de lançamento do padrão 802.11 do IEEE em 1997, me lembrei que em 1996 (antes do padrão estar pronto!) fui com meu pai a uma feira sobre Mobile e Wireless Technologies no Anhembi em SP.

Na ocasião, experimentamos conversar via chat de um Notebook com placa Wireless para outro PC. Foi uma empolgação quando vimos o troço funcionar: meu pai saia andando com o Notebook, escondendo atrás das pilastras da sala p/ testar o sistema!