Papai tinha um Dodge Polara automático branco, o "Doginho". Carro que rodou mais de 300.000km com a gente. Eu me lembro do dia que o velocímetro mudou na curva do Ponteio (que na época não passava de uma boate). Meu pai, super-empolgado, chamava a minha atenção para o fato. Eu devia ter uns 5 anos e estava no banco de trás, números não me interessavam tanto na época.
Papai chegou até mandar refazer todo o estofado de tanto gostar do carro. Depois dele ser vendido, uns anos mais tarde, vimos um Doginho branco estacionado em frente ao colégio Promove Serra: era ele! Papai ainda lembrava do número da placa! Mas não chegamos a ver o dono...
Outro dia, vi um Doginho vermelho na rua e achei um carro bem pequeno. Fico imaginando o foguete que devia ser, já que o motor era 2.2. Outros tempos estes, de gasolina barata...
---
Lembro-me de, pelo menos, outros 2 casos relacionados com o Doginho:
1. Quando éramos pequenos, nossa maior diversão era irmos almoçar no Dragon Palace na Av. do Contorno, porque existia na entrada uma escada de mármore branco cujo parapeito era muito largo e as crianças viviam escorregando nele. Hoje, o atual Dragon Center teve sua escada de entrada reformada, não possuindo mais esse escorregador. Na certa, alguma criança de menor destreza se esborrachou por lá.
Uma vez, num almoço de domingo, papai trancou a chave dentro do Doginho em frente ao restaurante. Na época, tinha uma fila de clientes na porta e um deles tinha um Dodge verde e tentamos a chave dele, que não funcionou. Por fim, acabou que papai conseguiu ceder um pouco o vidro da frente com mãos, o suficiente para levar um arame arranjado com um olhador de carro e pescar a chave no banco do carro!!
2. Uma vez, nós fomos passear no retiro das pedras. Lá, o papai teve que retirar o banco traseiro do carro e socá-lo no chão, pois o mesmo estava infestado de baratas. A origem das baratas reside no fato de que eu e minha irmã, comíamos bastantes biscoitos, cujos farelos acabavam por acumular no banco de trás.
Cesar Augustus Pereira 15/10/1951 - 10/05/2004 Weblog dedicado a vida e obra de Cesar Augustus, através das memórias de seus filhos, familiares e amigos.
Tuesday, June 09, 2009
Friday, May 15, 2009
Em 1996, o papai fez um projeto de engenharia que consistiu da instalação de umas bases de rádio para comunicação ao longo dos trechos navegáveis do rio São Francisco. O Edmundo é quem tinha dado a indicação.
Ele tinha então que contratar uma empresa dessas que vendem, compram, consertam e fazem qualquer negócio com rádio-eletrônica. Papai então ligou para uma empresa desse tipo com a qual já tinha trabalhado. Pelo telefone, o dono não estava lembrando dele. Papai achando um absurdo. Até que o cara do outro lado da linha falou:
"Cesar?" - "Ah, se for um cara doido que põe o óculos escuros sobre a cabeça, eu sei quem é que é!"
Era o papai.
Ele tinha então que contratar uma empresa dessas que vendem, compram, consertam e fazem qualquer negócio com rádio-eletrônica. Papai então ligou para uma empresa desse tipo com a qual já tinha trabalhado. Pelo telefone, o dono não estava lembrando dele. Papai achando um absurdo. Até que o cara do outro lado da linha falou:
"Cesar?" - "Ah, se for um cara doido que põe o óculos escuros sobre a cabeça, eu sei quem é que é!"
Era o papai.
Wednesday, April 29, 2009
Segue transcrição de comentário do D. Sávio, amigão do papai, publicitário e também barbacenense, sobre esse blog.
"Grande Zecão, me emocionei com os apontamentos sobre teu pai e meu bom amigo Cesinha, um cara que tinha horror a estacionar na vida e convidava todo mundo a sair do lugar, vivia na sanha de produzir novidade e acelerou como quem soubesse que tinha um ciclo breve, deixando um rastro de cometa por onde passava. Abração do sempre amigo Sávio."
"Grande Zecão, me emocionei com os apontamentos sobre teu pai e meu bom amigo Cesinha, um cara que tinha horror a estacionar na vida e convidava todo mundo a sair do lugar, vivia na sanha de produzir novidade e acelerou como quem soubesse que tinha um ciclo breve, deixando um rastro de cometa por onde passava. Abração do sempre amigo Sávio."
Saturday, February 07, 2009
Led
Sunday, January 11, 2009
No passado, posso dizer que papai possuiu uma marcenaria "quase" completa aqui em casa. Seguem algumas lembranças boas sobre feitos na marcenaria:
- A vez que ele rapidamente, para mostrar sua habilidade com a serra elétrica de mesa, fez com uns restos de forros de telhado, umas espadas do tipo cimitarras para mim e para vários sobrinhos que estavam aqui em casa de passagem. Foi uma festa!
- As primeiras lições de xilogravuras, quando devia ter uns 4 anos, também em uma madeira macia de forro de telhado. Ele chegou a esculpir/desenhar um boneco, que na minha memória era belíssimo!
- A vez que ele rapidamente, para mostrar sua habilidade com a serra elétrica de mesa, fez com uns restos de forros de telhado, umas espadas do tipo cimitarras para mim e para vários sobrinhos que estavam aqui em casa de passagem. Foi uma festa!
- As primeiras lições de xilogravuras, quando devia ter uns 4 anos, também em uma madeira macia de forro de telhado. Ele chegou a esculpir/desenhar um boneco, que na minha memória era belíssimo!
Tuesday, January 06, 2009
Nem tudo são flores.
Retornei ao consultório do Dr. João, após muitos anos, para uma consulta homeopática. Ele então me mostrou no computador a minha ficha médica. Havia diversas coisas a respeito de minha saúde (queixas, gripes, sinusite, acne e etc), porém o que me chamou a atenção foi a seguinte anotação (que pedi para copiar): "... pai deve 20000 no Banco do Brasil e 12000 no condomínio. Fazendo pós-graduação na UMFG..."
Isso em 07/05/2002, data da última consulta!
Retornei ao consultório do Dr. João, após muitos anos, para uma consulta homeopática. Ele então me mostrou no computador a minha ficha médica. Havia diversas coisas a respeito de minha saúde (queixas, gripes, sinusite, acne e etc), porém o que me chamou a atenção foi a seguinte anotação (que pedi para copiar): "... pai deve 20000 no Banco do Brasil e 12000 no condomínio. Fazendo pós-graduação na UMFG..."
Isso em 07/05/2002, data da última consulta!
Wednesday, October 15, 2008
1. No doloroso processo de separação do papai e da mamãe, muitas pessoas
da família foram, infelizmente, uma espécie de para-raios das confusões
dos dois.
Por exemplo: houve uma época em que mamãe não atendia as ligações telefônicas do papai. Assim, ele ligava para o meu tio Dário, na tentativa de que ele transmitisse algum recado de reconciliação. O Dário atendia sempre como um gentleman, escutando também todos os outros assuntos que papai falava.
Uma vez, eu estava no apartamento do Dário em Juiz de Fora e papai ligou. Como foi o Dário que atendeu, a conversa se alongou e eu percebi pelo tom que papai estava dizendo-lhe como era difícil sustentar uma família sozinho.
Ao término da ligação, meu tio Dário comentou comigo:
"Nossa Zequi; Impressionante, o seu pai sabe o preço de tudo!"
---
2. Um tempo atrás, eu e o Dário pelejávamos para colocar todas as malas dentro do porta-malas do carro. Ele então comentou: "Se fosse seu pai, ele conseguiria colocar tudo isto aí dentro..."
Realmente era fantástica a disposição do papai para arrumar um porta-malas de carro, desses de família grande, otimizando diversas malas, pacotes, travesseiros, violão, compras, etc.; tudo no mesmo espaço.
--
* Hoje, se vivo estivesse, Cesar Augustus Pereira faria 57 anos. *
Por exemplo: houve uma época em que mamãe não atendia as ligações telefônicas do papai. Assim, ele ligava para o meu tio Dário, na tentativa de que ele transmitisse algum recado de reconciliação. O Dário atendia sempre como um gentleman, escutando também todos os outros assuntos que papai falava.
Uma vez, eu estava no apartamento do Dário em Juiz de Fora e papai ligou. Como foi o Dário que atendeu, a conversa se alongou e eu percebi pelo tom que papai estava dizendo-lhe como era difícil sustentar uma família sozinho.
Ao término da ligação, meu tio Dário comentou comigo:
"Nossa Zequi; Impressionante, o seu pai sabe o preço de tudo!"
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2. Um tempo atrás, eu e o Dário pelejávamos para colocar todas as malas dentro do porta-malas do carro. Ele então comentou: "Se fosse seu pai, ele conseguiria colocar tudo isto aí dentro..."
Realmente era fantástica a disposição do papai para arrumar um porta-malas de carro, desses de família grande, otimizando diversas malas, pacotes, travesseiros, violão, compras, etc.; tudo no mesmo espaço.
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* Hoje, se vivo estivesse, Cesar Augustus Pereira faria 57 anos. *
Sunday, September 21, 2008
Quando nós tínhamos 11 p/ 12 anos, eu e meus irmãos (Rachel e Rafael)
resolvemos gravar uma simulação de uma briga no microsystem da Chel que
tinha um microfone embutido. A ideia seria passar a fita na hora em que a
mamãe chegasse em casa, a fim de pregar uma peça.
Só que nós, como crianças, não medimos as proporções, e o tiro saiu pela culatra... Quem chegou em casa primeiro foi o papai, justo num dos ápices da gravação, que era uma fala minha, ao fundo de vários barulhos: "Eu vou chamar a polícia!!!"
Papai jogou uma pilha de rolos de projetos que carregava no chão e correu para o andar de baixo, onde nós estávamos no quarto da Chel, esperando sorridentes. Quando ele viu que era uma enorme malandragem dos filhos, ele nos abraçou na cama e começou a chorar. Foi a primeira vez que vi meu pai chorando.
Só que nós, como crianças, não medimos as proporções, e o tiro saiu pela culatra... Quem chegou em casa primeiro foi o papai, justo num dos ápices da gravação, que era uma fala minha, ao fundo de vários barulhos: "Eu vou chamar a polícia!!!"
Papai jogou uma pilha de rolos de projetos que carregava no chão e correu para o andar de baixo, onde nós estávamos no quarto da Chel, esperando sorridentes. Quando ele viu que era uma enorme malandragem dos filhos, ele nos abraçou na cama e começou a chorar. Foi a primeira vez que vi meu pai chorando.
Thursday, August 21, 2008
Quando a firma de engenharia do papai estava falindo, o Escort L 1.6,
único veículo da família, foi transferido para o nome da minha avó.
No entanto, como papai e mamãe eram dois descontrolados, em pouco tempo eles levaram uma quantidade enorme de multas de trânsito em BH. As multas não foram pagas e o carro ficou em situação irregular. O pior, é que as multas chegavam em Barbacena, no nome da minha avó, que ficou com razão muito aborrecida com o ocorrido.
Certa vez, meu primo Marcelo ia saindo da casa "davó". Antes de entrar no fusquinha do seu pai, um carro da polícia passou na porta, onde o Escort estava parado e os policiais fizeram-lhe várias perguntas sobre o dono do veículo.
Não sabendo do que se tratava, ele resolveu voltar e comentar o ocorrido para o papai. Ato contínuo, perguntamos o que mais tinha ocorrido. Ele então falou:
"Agora, eu tô é esperando um tempo para a polícia ir embora, porque, como vocês sabem, eu não tenho carteira de motorista." E deu aquela gargalhada...
No entanto, como papai e mamãe eram dois descontrolados, em pouco tempo eles levaram uma quantidade enorme de multas de trânsito em BH. As multas não foram pagas e o carro ficou em situação irregular. O pior, é que as multas chegavam em Barbacena, no nome da minha avó, que ficou com razão muito aborrecida com o ocorrido.
Certa vez, meu primo Marcelo ia saindo da casa "davó". Antes de entrar no fusquinha do seu pai, um carro da polícia passou na porta, onde o Escort estava parado e os policiais fizeram-lhe várias perguntas sobre o dono do veículo.
Não sabendo do que se tratava, ele resolveu voltar e comentar o ocorrido para o papai. Ato contínuo, perguntamos o que mais tinha ocorrido. Ele então falou:
"Agora, eu tô é esperando um tempo para a polícia ir embora, porque, como vocês sabem, eu não tenho carteira de motorista." E deu aquela gargalhada...
Sunday, July 13, 2008
É incrível como a maioria dos ensinamentos de papai ocorreu dentro do
carro, nas diversas idas e vindas da vida. Assim também, foi com a
maioria dos casos engraçados.
Uma vez, nós subíamos o anel rodoviário, voltando do Cefet. Papai no volante, o Rafa no banco da frente e eu no de trás. No último trecho, Betânia-Olhos d'água, perto do depósito da Belgo, agora Arcelor, deparamo-nos com a seguinte cena surreal: uma caminhonete F1000 bem antiga subia na nossa frente. Quando papai falou: "Gente! Olha lá. Olha lá!"
A roda traseira direita da caminhonete havia se soltado naquele exato momento e veio quicando e rolando em nossa direção. Papai ultrapassou o veículo pela esquerda e, por sorte, a roda foi para o outro lado.
A caminhonete meio que tombou de lado e não vi se ela chegou a parar com segurança. Só sei que, depois do grande susto, nós três rimos prá caralho!
Uma vez, nós subíamos o anel rodoviário, voltando do Cefet. Papai no volante, o Rafa no banco da frente e eu no de trás. No último trecho, Betânia-Olhos d'água, perto do depósito da Belgo, agora Arcelor, deparamo-nos com a seguinte cena surreal: uma caminhonete F1000 bem antiga subia na nossa frente. Quando papai falou: "Gente! Olha lá. Olha lá!"
A roda traseira direita da caminhonete havia se soltado naquele exato momento e veio quicando e rolando em nossa direção. Papai ultrapassou o veículo pela esquerda e, por sorte, a roda foi para o outro lado.
A caminhonete meio que tombou de lado e não vi se ela chegou a parar com segurança. Só sei que, depois do grande susto, nós três rimos prá caralho!
Monday, June 23, 2008
Curtas:
1. Depois que papai faleceu, o Rony comentou brincando que ele herdou o posto do papai de "Engenheiro especialista em resolver pepinos que ninguém resolve em BH".
2. Quando estava no hospital, recebendo a romaria de visitas, alguém do DER (acho) chegou lá e disse algo que define bem o papai: "O Cesar é o louco mais lúcido que eu conheço."
3. Quando papai faleceu, o professor José Oswaldo cancelou a aula na graduação. Quando os alunos perguntaram por que, ele falou que não tinha condições de dar aula, pois tinha perdido um amigo. O que é mais importante para um professor que seus alunos?
4. No Jornal da Memória Gráfica de Maio de 2004, o Savinho escreveu a seguinte homenagem ao papai: "ADEUS CESAR - Por motivo de força maior, faleceu nessa semana nosso amigo e colaborador Cesar Augustus Pereira. Tocava uma guitarra e uma usina de ideias que funcionava 24 horas por dia sem parar. Viveu entre o céu e a terra, e aí permaneceu pela vida eterna."
1. Depois que papai faleceu, o Rony comentou brincando que ele herdou o posto do papai de "Engenheiro especialista em resolver pepinos que ninguém resolve em BH".
2. Quando estava no hospital, recebendo a romaria de visitas, alguém do DER (acho) chegou lá e disse algo que define bem o papai: "O Cesar é o louco mais lúcido que eu conheço."
3. Quando papai faleceu, o professor José Oswaldo cancelou a aula na graduação. Quando os alunos perguntaram por que, ele falou que não tinha condições de dar aula, pois tinha perdido um amigo. O que é mais importante para um professor que seus alunos?
4. No Jornal da Memória Gráfica de Maio de 2004, o Savinho escreveu a seguinte homenagem ao papai: "ADEUS CESAR - Por motivo de força maior, faleceu nessa semana nosso amigo e colaborador Cesar Augustus Pereira. Tocava uma guitarra e uma usina de ideias que funcionava 24 horas por dia sem parar. Viveu entre o céu e a terra, e aí permaneceu pela vida eterna."
Sunday, May 25, 2008
Meu pai sempre foi uma pessoa como se diz, naquela gíria antiga, virador! Nunca houve tempo ruim com ele!
Dois exemplos:
1. Quando a máquina de lavar roupas daqui de casa estragava (aquelas Brastemps antigas que boa parte da classe média-anos-80 possuiu) ele mesmo consertava (às vezes com alguma ajuda minha). Às vezes, também acontecia dele não conseguir consertar a máquina, como ocorreu com o último problema, onde o tanque furou. Assim, nós usamos praticamente todas nossas roupas, meias e cuecas, até o dia em que calculamos que seria mais barato irmos à Barbacena e lavarmos todas as roupas na casa da mamãe e na casa da tia Tereza. Minha mãe, quando viu as malas de roupa suja, quase chorou, não pelo trabalho que teria, mas de tristeza por pensar (corretamente) que estávamos no limite. Carinhosamente, ela chegou a ferver as meias e cuecas num caldeirão.
2. Outra história interessante aconteceu em Manguinhos no ES na casa do Celso e da Neide. Quando soube que a caixa d'água da casa deles nunca havia sido limpa, papai ficou daquele jeito, indignado. Logo, ele se dispôs a lavá-la. Nada mais justo, pois, como amigos, estávamos hospedados na casa deles. Durante a execução dos serviços, alguma das meninas da Neide (Clara ou Carolina) reclamou que não havia água na casa. A Neide que é uma pessoa muito bem humorada, mandou elas pararem de reclamar e ainda completou: "E fiquem quietas!, porque a pessoa que está limpando a caixa d'água possui o mesmo nível de instrução que o pai de vocês!!"
Dois exemplos:
1. Quando a máquina de lavar roupas daqui de casa estragava (aquelas Brastemps antigas que boa parte da classe média-anos-80 possuiu) ele mesmo consertava (às vezes com alguma ajuda minha). Às vezes, também acontecia dele não conseguir consertar a máquina, como ocorreu com o último problema, onde o tanque furou. Assim, nós usamos praticamente todas nossas roupas, meias e cuecas, até o dia em que calculamos que seria mais barato irmos à Barbacena e lavarmos todas as roupas na casa da mamãe e na casa da tia Tereza. Minha mãe, quando viu as malas de roupa suja, quase chorou, não pelo trabalho que teria, mas de tristeza por pensar (corretamente) que estávamos no limite. Carinhosamente, ela chegou a ferver as meias e cuecas num caldeirão.
2. Outra história interessante aconteceu em Manguinhos no ES na casa do Celso e da Neide. Quando soube que a caixa d'água da casa deles nunca havia sido limpa, papai ficou daquele jeito, indignado. Logo, ele se dispôs a lavá-la. Nada mais justo, pois, como amigos, estávamos hospedados na casa deles. Durante a execução dos serviços, alguma das meninas da Neide (Clara ou Carolina) reclamou que não havia água na casa. A Neide que é uma pessoa muito bem humorada, mandou elas pararem de reclamar e ainda completou: "E fiquem quietas!, porque a pessoa que está limpando a caixa d'água possui o mesmo nível de instrução que o pai de vocês!!"
Friday, March 21, 2008
Possibilidades
Quando o papai foi à Europa em 1974, ele trouxe de presente para a Tia Teresa um conjunto de 12 copinhos para tomar Whisky Cowboy. Cada copinho tinha um dos pontos turísticos de Londres desenhados no vidro, no entanto, um deles quebrou na viagem, deixando o conjunto incompleto.
Em 1978, quando ele retornou à Europa, ele comprou outro conjunto igual para ele. Porém, aconteceu algum acidente com a mala na volta. Quando o pacote foi aberto no Brasil, 11 copinhos haviam quebrado, restando intacto apenas o copinho que quebrara na primeira viagem. Ele não teve outra opção senão dá-lo para a Tia Teresa.
Em 1978, quando ele retornou à Europa, ele comprou outro conjunto igual para ele. Porém, aconteceu algum acidente com a mala na volta. Quando o pacote foi aberto no Brasil, 11 copinhos haviam quebrado, restando intacto apenas o copinho que quebrara na primeira viagem. Ele não teve outra opção senão dá-lo para a Tia Teresa.
Tuesday, March 04, 2008
Bilhete deixado sobre a mesa de café*
"César, responda urgente e rápido:
Como é que eu faço
com gente que não tem,
usa o dos outros,
paga para aqueles que têm e não podem usar
porque está emprestado ?"
---
* Autora: Nivalda de Melo Campos Richard, minha mãe. Acho o bilhete muito poético (como tantas coisas dela!).
** Na grafia original, o nome do papai foi acentuado erradamente, talvez de propósito.
"César, responda urgente e rápido:
Como é que eu faço
com gente que não tem,
usa o dos outros,
paga para aqueles que têm e não podem usar
porque está emprestado ?"
---
* Autora: Nivalda de Melo Campos Richard, minha mãe. Acho o bilhete muito poético (como tantas coisas dela!).
** Na grafia original, o nome do papai foi acentuado erradamente, talvez de propósito.
Saturday, February 02, 2008
Quando o artista plástico Oswaldo Medeiros, o Wadin, faleceu papai falou que seria o próximo da turma a morrer.
Infelizmente, ele acertou...
A turma a que ele se referia era pessoal do Bar do Helinho e do projeto Memória Gráfica encabeçado pelo Wadin e cujos projetos elétricos das instalações papai realizou.
O Bar do Helinho era o bar mais legal de Belo Horizonte! Ele funcionava no porão do Teatro Universitário da UFMG, na rua Carangola. Seu dono era o ator Hélio Zolini, daí o nome para os íntimos. O bar também era conhecido como bar do TU, ou ainda, incomumente pelo nome verdadeiro: Cantina Urrubus. Era o reduto de vários artistas plásticos como o Wadin, Gilberto Abreu, músicos, intelectuais e outros talentos que, brincava, não foram reconhecidos no mainstream.
Confesso que muitas das diferenças entre mim e papai foram acertadas em mesas de bar como esse. Na época, eu tinha entre 17 e 18 anos. (Nesse aspecto, o bar Cheiro de Mato em Barbacena foi igualmente importante na minha vida).
Uma vez, eu deixei papai nesse bar e fui dar umas voltas com o Escort, pois tinha acabado de tirar carteira. Eu ficava com o seu celular, no caso de alguma emergência. Foi quando ele me ligou pedindo para voltar, pois o bar iria fechar e todos iriam para o bar do Toninho Horta no horto.
Quando eu cheguei no bar, que Toninho Horta, que nada! Nesse meio tempo, apareceu um casal com um violão, que já estava na mão do papai, que tocava desde Beatles a Tom Jobim. Todo o bar, numa roda fechada, cantava junto!
Meu amigo Luiggi foi testemunha desse dia inesquecível!
NP: My Father's Eyes - Eric Clapton
Infelizmente, ele acertou...
A turma a que ele se referia era pessoal do Bar do Helinho e do projeto Memória Gráfica encabeçado pelo Wadin e cujos projetos elétricos das instalações papai realizou.
O Bar do Helinho era o bar mais legal de Belo Horizonte! Ele funcionava no porão do Teatro Universitário da UFMG, na rua Carangola. Seu dono era o ator Hélio Zolini, daí o nome para os íntimos. O bar também era conhecido como bar do TU, ou ainda, incomumente pelo nome verdadeiro: Cantina Urrubus. Era o reduto de vários artistas plásticos como o Wadin, Gilberto Abreu, músicos, intelectuais e outros talentos que, brincava, não foram reconhecidos no mainstream.
Confesso que muitas das diferenças entre mim e papai foram acertadas em mesas de bar como esse. Na época, eu tinha entre 17 e 18 anos. (Nesse aspecto, o bar Cheiro de Mato em Barbacena foi igualmente importante na minha vida).
Uma vez, eu deixei papai nesse bar e fui dar umas voltas com o Escort, pois tinha acabado de tirar carteira. Eu ficava com o seu celular, no caso de alguma emergência. Foi quando ele me ligou pedindo para voltar, pois o bar iria fechar e todos iriam para o bar do Toninho Horta no horto.
Quando eu cheguei no bar, que Toninho Horta, que nada! Nesse meio tempo, apareceu um casal com um violão, que já estava na mão do papai, que tocava desde Beatles a Tom Jobim. Todo o bar, numa roda fechada, cantava junto!
Meu amigo Luiggi foi testemunha desse dia inesquecível!
NP: My Father's Eyes - Eric Clapton
Friday, January 18, 2008
Amigos, recebi esta mensagem do Leandro Marçal, colega de pós-graduação
do papai, após ele visitar o blog. Sinceramente, não esperava uma
mensagem tão bonita.
-----Mensagem original-----
De: Leandro Marcal
Enviada em: quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 15:09
Para: EZEQUIEL
Assunto: MEMÓRIAS DO CÉSAR
Ezequiel,
A meu ver, a vida é frágil, fugaz e efêmera.
Realizamos uma travessia, cada qual com seus dons.
E o que deixamos depois de completar essa caminhada?
As recordações, perenizadas pela amizade, sinceridade, confiança e solidariedade.
E esse foi o legado maior deixado pelo Cesar
Uma pessoa de brilho próprio e intenso.
Com amizade.
Leandro.
-----
Papai falava que o Leandro era um dos anjos da guarda dele. Uma amiga do Leandro, ao saber disso, me falou: ¨Nossa mãe, mas que anjo maluco...¨ Ela não conheceu o protegido.
-----Mensagem original-----
De: Leandro Marcal
Enviada em: quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 15:09
Para: EZEQUIEL
Assunto: MEMÓRIAS DO CÉSAR
Ezequiel,
A meu ver, a vida é frágil, fugaz e efêmera.
Realizamos uma travessia, cada qual com seus dons.
E o que deixamos depois de completar essa caminhada?
As recordações, perenizadas pela amizade, sinceridade, confiança e solidariedade.
E esse foi o legado maior deixado pelo Cesar
Uma pessoa de brilho próprio e intenso.
Com amizade.
Leandro.
-----
Papai falava que o Leandro era um dos anjos da guarda dele. Uma amiga do Leandro, ao saber disso, me falou: ¨Nossa mãe, mas que anjo maluco...¨ Ela não conheceu o protegido.
Saturday, January 05, 2008
Recentemente estive de férias e pedi a um vizinho um convite para o
clube que éramos sócios no passado (época em que a família era
estruturada). O retorno ao clube foi um retorno à infância. Nesse dia me
lembrei do seguinte caso:
No início da década de 90, o bar do clube passou a adotar fichas plásticas coloridas que se juntavam umas às outras formando uma corrente. Essas fichas representavam as moedas e notas dos mais variados valores: $0,01; $0,05; $0,10; $0,50 e assim por diante.
No entanto, como existia uma grande inflação na época, as fichas de menor valor logo caiam em desuso (semelhante às moedas de R$0,01 hoje), até que, passados alguns meses, retornavam com o valor da ficha mais alta.
Com uns 10 anos de idade eu percebi isso na primeira rodada. Assim, passei de mesa em mesa do clube, pedindo para trocar minhas fichas de $0,10; $0,50; $1,00 por várias fichas de $0,05.
Numa conversa no balcão do bar, meu pai criticou o sistema com um amigo, que replicou:
"Cesar, você tem que esperar as fichas rodarem, dessa forma você ganhará algum dinheiro".
Papai, acho que não entendeu o negócio e eu intervi na conversa dizendo que já tinha várias fichas antigas à espera da valorização. O amigo então disse:
"Olha só, Cesar! O seu filho tá mais esperto que você."
No início da década de 90, o bar do clube passou a adotar fichas plásticas coloridas que se juntavam umas às outras formando uma corrente. Essas fichas representavam as moedas e notas dos mais variados valores: $0,01; $0,05; $0,10; $0,50 e assim por diante.
No entanto, como existia uma grande inflação na época, as fichas de menor valor logo caiam em desuso (semelhante às moedas de R$0,01 hoje), até que, passados alguns meses, retornavam com o valor da ficha mais alta.
Com uns 10 anos de idade eu percebi isso na primeira rodada. Assim, passei de mesa em mesa do clube, pedindo para trocar minhas fichas de $0,10; $0,50; $1,00 por várias fichas de $0,05.
Numa conversa no balcão do bar, meu pai criticou o sistema com um amigo, que replicou:
"Cesar, você tem que esperar as fichas rodarem, dessa forma você ganhará algum dinheiro".
Papai, acho que não entendeu o negócio e eu intervi na conversa dizendo que já tinha várias fichas antigas à espera da valorização. O amigo então disse:
"Olha só, Cesar! O seu filho tá mais esperto que você."
Monday, December 24, 2007
Não me lembrou exatamente o ano deste caso, mas acho que ocorreu em 2001. A Dona Alda, mãe do Eduardo, amigo da família, frequentava o centro espírita Cáritas no bairro Sion. Uma vez, o médium do centro recebeu uma mensagem espírita dizendo que ela deveria comprar uma cesta básica para o meu pai, visto que nós passávamos dificuldades. Papai aceitou o presente de "muito bom" grado, ainda mais com as recomendações vindas do além que mexeram com a sua imaginação. Nunca faltou comida aqui em casa. Mas realmente, nas semanas que antecederam o acontecido, as coisas não estavam boas e o pouco dinheiro na carteira pode ser direcionado a outras contas. Feliz Natal a todos!
Sunday, December 16, 2007
Há muito tempo, papai instalou um telefone no hall de entrada da casa, perto da cozinha, para que, quando uma ligação tocasse na hora do almoço ou jantar, o retorno à mesa fosse abreviado, pois papai fazia questão da família completa. Uma vez, no meio do jantar, o telefone tocou e ele foi atender. Era uma dessas fundações tipo APAE pedindo doações. Papai olhou para a mesa, com uma cara de quem não sabia o que dizer. E nós todos estávamos curiosos em saber o que ocorria. Até que, meio num lampejo e para despachar logo a ligação inconveniente, ele disse numa voz meio "capial":
"Aqui é o Antônio, o jardineiro! Tenho que esperar meu patrão chegar... Pra ver esse negócio de doação..."
Quando o fone foi colocado no gancho, todos nós rimos pra caramba.
Saturday, December 08, 2007
Ainda sobre fuscas
Essa ninguém da minha família irá se lembrar. Mas nós tivemos um fusquinha branco. Uma das minhas memórias mais antigas é termos ido à praia nele. Eu e minha irmã íamos rolando no banco traseiro que estava deitado.
Esse Fusca branco foi roubado em Barbacena na frente da casa da minha avó, na R. Washington Luis. Eu devia ter uns 5 anos e me recordo bem, porque quando a polícia chegou para fazer o BO, papai fez questão que eu visse o funcionamento do rádio do carro da polícia (que também era um fusca!). A família e os curiosos estavam todos na rua. O carro foi achado umas semanas depois intacto. Inclusive com os óculos escuros do papai no painel. No entanto, a caixa de ferramentas que ele levava no porta-malas foi levada. Eu fiquei muitos anos escutando, toda vez que papai precisava de alguma ferramenta, por exemplo, o alicate de bico, as reclamações a respeito do roubo...
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