No passado, posso dizer que papai possuiu uma marcenaria "quase" completa aqui em casa. Seguem algumas lembranças boas sobre feitos na marcenaria:
- A vez que ele rapidamente, para mostrar sua habilidade com a serra elétrica de mesa, fez com uns restos de forros de telhado, umas espadas do tipo cimitarras para mim e para vários sobrinhos que estavam aqui em casa de passagem. Foi uma festa!
- As primeiras lições de xilogravuras, quando devia ter uns 4 anos, também em uma madeira macia de forro de telhado. Ele chegou a esculpir/desenhar um boneco, que na minha memória era belíssimo!
Cesar Augustus Pereira 15/10/1951 - 10/05/2004 Weblog dedicado a vida e obra de Cesar Augustus, através das memórias de seus filhos, familiares e amigos.
Sunday, January 11, 2009
Tuesday, January 06, 2009
Nem tudo são flores.
Retornei ao consultório do Dr. João, após muitos anos, para uma consulta homeopática. Ele então me mostrou no computador a minha ficha médica. Havia diversas coisas a respeito de minha saúde (queixas, gripes, sinusite, acne e etc), porém o que me chamou a atenção foi a seguinte anotação (que pedi para copiar): "... pai deve 20000 no Banco do Brasil e 12000 no condomínio. Fazendo pós-graduação na UMFG..."
Isso em 07/05/2002, data da última consulta!
Retornei ao consultório do Dr. João, após muitos anos, para uma consulta homeopática. Ele então me mostrou no computador a minha ficha médica. Havia diversas coisas a respeito de minha saúde (queixas, gripes, sinusite, acne e etc), porém o que me chamou a atenção foi a seguinte anotação (que pedi para copiar): "... pai deve 20000 no Banco do Brasil e 12000 no condomínio. Fazendo pós-graduação na UMFG..."
Isso em 07/05/2002, data da última consulta!
Wednesday, October 15, 2008
1. No doloroso processo de separação do papai e da mamãe, muitas pessoas
da família foram, infelizmente, uma espécie de para-raios das confusões
dos dois.
Por exemplo: houve uma época em que mamãe não atendia as ligações telefônicas do papai. Assim, ele ligava para o meu tio Dário, na tentativa de que ele transmitisse algum recado de reconciliação. O Dário atendia sempre como um gentleman, escutando também todos os outros assuntos que papai falava.
Uma vez, eu estava no apartamento do Dário em Juiz de Fora e papai ligou. Como foi o Dário que atendeu, a conversa se alongou e eu percebi pelo tom que papai estava dizendo-lhe como era difícil sustentar uma família sozinho.
Ao término da ligação, meu tio Dário comentou comigo:
"Nossa Zequi; Impressionante, o seu pai sabe o preço de tudo!"
---
2. Um tempo atrás, eu e o Dário pelejávamos para colocar todas as malas dentro do porta-malas do carro. Ele então comentou: "Se fosse seu pai, ele conseguiria colocar tudo isto aí dentro..."
Realmente era fantástica a disposição do papai para arrumar um porta-malas de carro, desses de família grande, otimizando diversas malas, pacotes, travesseiros, violão, compras, etc.; tudo no mesmo espaço.
--
* Hoje, se vivo estivesse, Cesar Augustus Pereira faria 57 anos. *
Por exemplo: houve uma época em que mamãe não atendia as ligações telefônicas do papai. Assim, ele ligava para o meu tio Dário, na tentativa de que ele transmitisse algum recado de reconciliação. O Dário atendia sempre como um gentleman, escutando também todos os outros assuntos que papai falava.
Uma vez, eu estava no apartamento do Dário em Juiz de Fora e papai ligou. Como foi o Dário que atendeu, a conversa se alongou e eu percebi pelo tom que papai estava dizendo-lhe como era difícil sustentar uma família sozinho.
Ao término da ligação, meu tio Dário comentou comigo:
"Nossa Zequi; Impressionante, o seu pai sabe o preço de tudo!"
---
2. Um tempo atrás, eu e o Dário pelejávamos para colocar todas as malas dentro do porta-malas do carro. Ele então comentou: "Se fosse seu pai, ele conseguiria colocar tudo isto aí dentro..."
Realmente era fantástica a disposição do papai para arrumar um porta-malas de carro, desses de família grande, otimizando diversas malas, pacotes, travesseiros, violão, compras, etc.; tudo no mesmo espaço.
--
* Hoje, se vivo estivesse, Cesar Augustus Pereira faria 57 anos. *
Sunday, September 21, 2008
Quando nós tínhamos 11 p/ 12 anos, eu e meus irmãos (Rachel e Rafael)
resolvemos gravar uma simulação de uma briga no microsystem da Chel que
tinha um microfone embutido. A ideia seria passar a fita na hora em que a
mamãe chegasse em casa, a fim de pregar uma peça.
Só que nós, como crianças, não medimos as proporções, e o tiro saiu pela culatra... Quem chegou em casa primeiro foi o papai, justo num dos ápices da gravação, que era uma fala minha, ao fundo de vários barulhos: "Eu vou chamar a polícia!!!"
Papai jogou uma pilha de rolos de projetos que carregava no chão e correu para o andar de baixo, onde nós estávamos no quarto da Chel, esperando sorridentes. Quando ele viu que era uma enorme malandragem dos filhos, ele nos abraçou na cama e começou a chorar. Foi a primeira vez que vi meu pai chorando.
Só que nós, como crianças, não medimos as proporções, e o tiro saiu pela culatra... Quem chegou em casa primeiro foi o papai, justo num dos ápices da gravação, que era uma fala minha, ao fundo de vários barulhos: "Eu vou chamar a polícia!!!"
Papai jogou uma pilha de rolos de projetos que carregava no chão e correu para o andar de baixo, onde nós estávamos no quarto da Chel, esperando sorridentes. Quando ele viu que era uma enorme malandragem dos filhos, ele nos abraçou na cama e começou a chorar. Foi a primeira vez que vi meu pai chorando.
Thursday, August 21, 2008
Quando a firma de engenharia do papai estava falindo, o Escort L 1.6,
único veículo da família, foi transferido para o nome da minha avó.
No entanto, como papai e mamãe eram dois descontrolados, em pouco tempo eles levaram uma quantidade enorme de multas de trânsito em BH. As multas não foram pagas e o carro ficou em situação irregular. O pior, é que as multas chegavam em Barbacena, no nome da minha avó, que ficou com razão muito aborrecida com o ocorrido.
Certa vez, meu primo Marcelo ia saindo da casa "davó". Antes de entrar no fusquinha do seu pai, um carro da polícia passou na porta, onde o Escort estava parado e os policiais fizeram-lhe várias perguntas sobre o dono do veículo.
Não sabendo do que se tratava, ele resolveu voltar e comentar o ocorrido para o papai. Ato contínuo, perguntamos o que mais tinha ocorrido. Ele então falou:
"Agora, eu tô é esperando um tempo para a polícia ir embora, porque, como vocês sabem, eu não tenho carteira de motorista." E deu aquela gargalhada...
No entanto, como papai e mamãe eram dois descontrolados, em pouco tempo eles levaram uma quantidade enorme de multas de trânsito em BH. As multas não foram pagas e o carro ficou em situação irregular. O pior, é que as multas chegavam em Barbacena, no nome da minha avó, que ficou com razão muito aborrecida com o ocorrido.
Certa vez, meu primo Marcelo ia saindo da casa "davó". Antes de entrar no fusquinha do seu pai, um carro da polícia passou na porta, onde o Escort estava parado e os policiais fizeram-lhe várias perguntas sobre o dono do veículo.
Não sabendo do que se tratava, ele resolveu voltar e comentar o ocorrido para o papai. Ato contínuo, perguntamos o que mais tinha ocorrido. Ele então falou:
"Agora, eu tô é esperando um tempo para a polícia ir embora, porque, como vocês sabem, eu não tenho carteira de motorista." E deu aquela gargalhada...
Sunday, July 13, 2008
É incrível como a maioria dos ensinamentos de papai ocorreu dentro do
carro, nas diversas idas e vindas da vida. Assim também, foi com a
maioria dos casos engraçados.
Uma vez, nós subíamos o anel rodoviário, voltando do Cefet. Papai no volante, o Rafa no banco da frente e eu no de trás. No último trecho, Betânia-Olhos d'água, perto do depósito da Belgo, agora Arcelor, deparamo-nos com a seguinte cena surreal: uma caminhonete F1000 bem antiga subia na nossa frente. Quando papai falou: "Gente! Olha lá. Olha lá!"
A roda traseira direita da caminhonete havia se soltado naquele exato momento e veio quicando e rolando em nossa direção. Papai ultrapassou o veículo pela esquerda e, por sorte, a roda foi para o outro lado.
A caminhonete meio que tombou de lado e não vi se ela chegou a parar com segurança. Só sei que, depois do grande susto, nós três rimos prá caralho!
Uma vez, nós subíamos o anel rodoviário, voltando do Cefet. Papai no volante, o Rafa no banco da frente e eu no de trás. No último trecho, Betânia-Olhos d'água, perto do depósito da Belgo, agora Arcelor, deparamo-nos com a seguinte cena surreal: uma caminhonete F1000 bem antiga subia na nossa frente. Quando papai falou: "Gente! Olha lá. Olha lá!"
A roda traseira direita da caminhonete havia se soltado naquele exato momento e veio quicando e rolando em nossa direção. Papai ultrapassou o veículo pela esquerda e, por sorte, a roda foi para o outro lado.
A caminhonete meio que tombou de lado e não vi se ela chegou a parar com segurança. Só sei que, depois do grande susto, nós três rimos prá caralho!
Monday, June 23, 2008
Curtas:
1. Depois que papai faleceu, o Rony comentou brincando que ele herdou o posto do papai de "Engenheiro especialista em resolver pepinos que ninguém resolve em BH".
2. Quando estava no hospital, recebendo a romaria de visitas, alguém do DER (acho) chegou lá e disse algo que define bem o papai: "O Cesar é o louco mais lúcido que eu conheço."
3. Quando papai faleceu, o professor José Oswaldo cancelou a aula na graduação. Quando os alunos perguntaram por que, ele falou que não tinha condições de dar aula, pois tinha perdido um amigo. O que é mais importante para um professor que seus alunos?
4. No Jornal da Memória Gráfica de Maio de 2004, o Savinho escreveu a seguinte homenagem ao papai: "ADEUS CESAR - Por motivo de força maior, faleceu nessa semana nosso amigo e colaborador Cesar Augustus Pereira. Tocava uma guitarra e uma usina de ideias que funcionava 24 horas por dia sem parar. Viveu entre o céu e a terra, e aí permaneceu pela vida eterna."
1. Depois que papai faleceu, o Rony comentou brincando que ele herdou o posto do papai de "Engenheiro especialista em resolver pepinos que ninguém resolve em BH".
2. Quando estava no hospital, recebendo a romaria de visitas, alguém do DER (acho) chegou lá e disse algo que define bem o papai: "O Cesar é o louco mais lúcido que eu conheço."
3. Quando papai faleceu, o professor José Oswaldo cancelou a aula na graduação. Quando os alunos perguntaram por que, ele falou que não tinha condições de dar aula, pois tinha perdido um amigo. O que é mais importante para um professor que seus alunos?
4. No Jornal da Memória Gráfica de Maio de 2004, o Savinho escreveu a seguinte homenagem ao papai: "ADEUS CESAR - Por motivo de força maior, faleceu nessa semana nosso amigo e colaborador Cesar Augustus Pereira. Tocava uma guitarra e uma usina de ideias que funcionava 24 horas por dia sem parar. Viveu entre o céu e a terra, e aí permaneceu pela vida eterna."
Sunday, May 25, 2008
Meu pai sempre foi uma pessoa como se diz, naquela gíria antiga, virador! Nunca houve tempo ruim com ele!
Dois exemplos:
1. Quando a máquina de lavar roupas daqui de casa estragava (aquelas Brastemps antigas que boa parte da classe média-anos-80 possuiu) ele mesmo consertava (às vezes com alguma ajuda minha). Às vezes, também acontecia dele não conseguir consertar a máquina, como ocorreu com o último problema, onde o tanque furou. Assim, nós usamos praticamente todas nossas roupas, meias e cuecas, até o dia em que calculamos que seria mais barato irmos à Barbacena e lavarmos todas as roupas na casa da mamãe e na casa da tia Tereza. Minha mãe, quando viu as malas de roupa suja, quase chorou, não pelo trabalho que teria, mas de tristeza por pensar (corretamente) que estávamos no limite. Carinhosamente, ela chegou a ferver as meias e cuecas num caldeirão.
2. Outra história interessante aconteceu em Manguinhos no ES na casa do Celso e da Neide. Quando soube que a caixa d'água da casa deles nunca havia sido limpa, papai ficou daquele jeito, indignado. Logo, ele se dispôs a lavá-la. Nada mais justo, pois, como amigos, estávamos hospedados na casa deles. Durante a execução dos serviços, alguma das meninas da Neide (Clara ou Carolina) reclamou que não havia água na casa. A Neide que é uma pessoa muito bem humorada, mandou elas pararem de reclamar e ainda completou: "E fiquem quietas!, porque a pessoa que está limpando a caixa d'água possui o mesmo nível de instrução que o pai de vocês!!"
Dois exemplos:
1. Quando a máquina de lavar roupas daqui de casa estragava (aquelas Brastemps antigas que boa parte da classe média-anos-80 possuiu) ele mesmo consertava (às vezes com alguma ajuda minha). Às vezes, também acontecia dele não conseguir consertar a máquina, como ocorreu com o último problema, onde o tanque furou. Assim, nós usamos praticamente todas nossas roupas, meias e cuecas, até o dia em que calculamos que seria mais barato irmos à Barbacena e lavarmos todas as roupas na casa da mamãe e na casa da tia Tereza. Minha mãe, quando viu as malas de roupa suja, quase chorou, não pelo trabalho que teria, mas de tristeza por pensar (corretamente) que estávamos no limite. Carinhosamente, ela chegou a ferver as meias e cuecas num caldeirão.
2. Outra história interessante aconteceu em Manguinhos no ES na casa do Celso e da Neide. Quando soube que a caixa d'água da casa deles nunca havia sido limpa, papai ficou daquele jeito, indignado. Logo, ele se dispôs a lavá-la. Nada mais justo, pois, como amigos, estávamos hospedados na casa deles. Durante a execução dos serviços, alguma das meninas da Neide (Clara ou Carolina) reclamou que não havia água na casa. A Neide que é uma pessoa muito bem humorada, mandou elas pararem de reclamar e ainda completou: "E fiquem quietas!, porque a pessoa que está limpando a caixa d'água possui o mesmo nível de instrução que o pai de vocês!!"
Friday, March 21, 2008
Possibilidades
Quando o papai foi à Europa em 1974, ele trouxe de presente para a Tia Teresa um conjunto de 12 copinhos para tomar Whisky Cowboy. Cada copinho tinha um dos pontos turísticos de Londres desenhados no vidro, no entanto, um deles quebrou na viagem, deixando o conjunto incompleto.
Em 1978, quando ele retornou à Europa, ele comprou outro conjunto igual para ele. Porém, aconteceu algum acidente com a mala na volta. Quando o pacote foi aberto no Brasil, 11 copinhos haviam quebrado, restando intacto apenas o copinho que quebrara na primeira viagem. Ele não teve outra opção senão dá-lo para a Tia Teresa.
Em 1978, quando ele retornou à Europa, ele comprou outro conjunto igual para ele. Porém, aconteceu algum acidente com a mala na volta. Quando o pacote foi aberto no Brasil, 11 copinhos haviam quebrado, restando intacto apenas o copinho que quebrara na primeira viagem. Ele não teve outra opção senão dá-lo para a Tia Teresa.
Tuesday, March 04, 2008
Bilhete deixado sobre a mesa de café*
"César, responda urgente e rápido:
Como é que eu faço
com gente que não tem,
usa o dos outros,
paga para aqueles que têm e não podem usar
porque está emprestado ?"
---
* Autora: Nivalda de Melo Campos Richard, minha mãe. Acho o bilhete muito poético (como tantas coisas dela!).
** Na grafia original, o nome do papai foi acentuado erradamente, talvez de propósito.
"César, responda urgente e rápido:
Como é que eu faço
com gente que não tem,
usa o dos outros,
paga para aqueles que têm e não podem usar
porque está emprestado ?"
---
* Autora: Nivalda de Melo Campos Richard, minha mãe. Acho o bilhete muito poético (como tantas coisas dela!).
** Na grafia original, o nome do papai foi acentuado erradamente, talvez de propósito.
Saturday, February 02, 2008
Quando o artista plástico Oswaldo Medeiros, o Wadin, faleceu papai falou que seria o próximo da turma a morrer.
Infelizmente, ele acertou...
A turma a que ele se referia era pessoal do Bar do Helinho e do projeto Memória Gráfica encabeçado pelo Wadin e cujos projetos elétricos das instalações papai realizou.
O Bar do Helinho era o bar mais legal de Belo Horizonte! Ele funcionava no porão do Teatro Universitário da UFMG, na rua Carangola. Seu dono era o ator Hélio Zolini, daí o nome para os íntimos. O bar também era conhecido como bar do TU, ou ainda, incomumente pelo nome verdadeiro: Cantina Urrubus. Era o reduto de vários artistas plásticos como o Wadin, Gilberto Abreu, músicos, intelectuais e outros talentos que, brincava, não foram reconhecidos no mainstream.
Confesso que muitas das diferenças entre mim e papai foram acertadas em mesas de bar como esse. Na época, eu tinha entre 17 e 18 anos. (Nesse aspecto, o bar Cheiro de Mato em Barbacena foi igualmente importante na minha vida).
Uma vez, eu deixei papai nesse bar e fui dar umas voltas com o Escort, pois tinha acabado de tirar carteira. Eu ficava com o seu celular, no caso de alguma emergência. Foi quando ele me ligou pedindo para voltar, pois o bar iria fechar e todos iriam para o bar do Toninho Horta no horto.
Quando eu cheguei no bar, que Toninho Horta, que nada! Nesse meio tempo, apareceu um casal com um violão, que já estava na mão do papai, que tocava desde Beatles a Tom Jobim. Todo o bar, numa roda fechada, cantava junto!
Meu amigo Luiggi foi testemunha desse dia inesquecível!
NP: My Father's Eyes - Eric Clapton
Infelizmente, ele acertou...
A turma a que ele se referia era pessoal do Bar do Helinho e do projeto Memória Gráfica encabeçado pelo Wadin e cujos projetos elétricos das instalações papai realizou.
O Bar do Helinho era o bar mais legal de Belo Horizonte! Ele funcionava no porão do Teatro Universitário da UFMG, na rua Carangola. Seu dono era o ator Hélio Zolini, daí o nome para os íntimos. O bar também era conhecido como bar do TU, ou ainda, incomumente pelo nome verdadeiro: Cantina Urrubus. Era o reduto de vários artistas plásticos como o Wadin, Gilberto Abreu, músicos, intelectuais e outros talentos que, brincava, não foram reconhecidos no mainstream.
Confesso que muitas das diferenças entre mim e papai foram acertadas em mesas de bar como esse. Na época, eu tinha entre 17 e 18 anos. (Nesse aspecto, o bar Cheiro de Mato em Barbacena foi igualmente importante na minha vida).
Uma vez, eu deixei papai nesse bar e fui dar umas voltas com o Escort, pois tinha acabado de tirar carteira. Eu ficava com o seu celular, no caso de alguma emergência. Foi quando ele me ligou pedindo para voltar, pois o bar iria fechar e todos iriam para o bar do Toninho Horta no horto.
Quando eu cheguei no bar, que Toninho Horta, que nada! Nesse meio tempo, apareceu um casal com um violão, que já estava na mão do papai, que tocava desde Beatles a Tom Jobim. Todo o bar, numa roda fechada, cantava junto!
Meu amigo Luiggi foi testemunha desse dia inesquecível!
NP: My Father's Eyes - Eric Clapton
Friday, January 18, 2008
Amigos, recebi esta mensagem do Leandro Marçal, colega de pós-graduação
do papai, após ele visitar o blog. Sinceramente, não esperava uma
mensagem tão bonita.
-----Mensagem original-----
De: Leandro Marcal
Enviada em: quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 15:09
Para: EZEQUIEL
Assunto: MEMÓRIAS DO CÉSAR
Ezequiel,
A meu ver, a vida é frágil, fugaz e efêmera.
Realizamos uma travessia, cada qual com seus dons.
E o que deixamos depois de completar essa caminhada?
As recordações, perenizadas pela amizade, sinceridade, confiança e solidariedade.
E esse foi o legado maior deixado pelo Cesar
Uma pessoa de brilho próprio e intenso.
Com amizade.
Leandro.
-----
Papai falava que o Leandro era um dos anjos da guarda dele. Uma amiga do Leandro, ao saber disso, me falou: ¨Nossa mãe, mas que anjo maluco...¨ Ela não conheceu o protegido.
-----Mensagem original-----
De: Leandro Marcal
Enviada em: quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 15:09
Para: EZEQUIEL
Assunto: MEMÓRIAS DO CÉSAR
Ezequiel,
A meu ver, a vida é frágil, fugaz e efêmera.
Realizamos uma travessia, cada qual com seus dons.
E o que deixamos depois de completar essa caminhada?
As recordações, perenizadas pela amizade, sinceridade, confiança e solidariedade.
E esse foi o legado maior deixado pelo Cesar
Uma pessoa de brilho próprio e intenso.
Com amizade.
Leandro.
-----
Papai falava que o Leandro era um dos anjos da guarda dele. Uma amiga do Leandro, ao saber disso, me falou: ¨Nossa mãe, mas que anjo maluco...¨ Ela não conheceu o protegido.
Saturday, January 05, 2008
Recentemente estive de férias e pedi a um vizinho um convite para o
clube que éramos sócios no passado (época em que a família era
estruturada). O retorno ao clube foi um retorno à infância. Nesse dia me
lembrei do seguinte caso:
No início da década de 90, o bar do clube passou a adotar fichas plásticas coloridas que se juntavam umas às outras formando uma corrente. Essas fichas representavam as moedas e notas dos mais variados valores: $0,01; $0,05; $0,10; $0,50 e assim por diante.
No entanto, como existia uma grande inflação na época, as fichas de menor valor logo caiam em desuso (semelhante às moedas de R$0,01 hoje), até que, passados alguns meses, retornavam com o valor da ficha mais alta.
Com uns 10 anos de idade eu percebi isso na primeira rodada. Assim, passei de mesa em mesa do clube, pedindo para trocar minhas fichas de $0,10; $0,50; $1,00 por várias fichas de $0,05.
Numa conversa no balcão do bar, meu pai criticou o sistema com um amigo, que replicou:
"Cesar, você tem que esperar as fichas rodarem, dessa forma você ganhará algum dinheiro".
Papai, acho que não entendeu o negócio e eu intervi na conversa dizendo que já tinha várias fichas antigas à espera da valorização. O amigo então disse:
"Olha só, Cesar! O seu filho tá mais esperto que você."
No início da década de 90, o bar do clube passou a adotar fichas plásticas coloridas que se juntavam umas às outras formando uma corrente. Essas fichas representavam as moedas e notas dos mais variados valores: $0,01; $0,05; $0,10; $0,50 e assim por diante.
No entanto, como existia uma grande inflação na época, as fichas de menor valor logo caiam em desuso (semelhante às moedas de R$0,01 hoje), até que, passados alguns meses, retornavam com o valor da ficha mais alta.
Com uns 10 anos de idade eu percebi isso na primeira rodada. Assim, passei de mesa em mesa do clube, pedindo para trocar minhas fichas de $0,10; $0,50; $1,00 por várias fichas de $0,05.
Numa conversa no balcão do bar, meu pai criticou o sistema com um amigo, que replicou:
"Cesar, você tem que esperar as fichas rodarem, dessa forma você ganhará algum dinheiro".
Papai, acho que não entendeu o negócio e eu intervi na conversa dizendo que já tinha várias fichas antigas à espera da valorização. O amigo então disse:
"Olha só, Cesar! O seu filho tá mais esperto que você."
Monday, December 24, 2007
Não me lembrou exatamente o ano deste caso, mas acho que ocorreu em 2001. A Dona Alda, mãe do Eduardo, amigo da família, frequentava o centro espírita Cáritas no bairro Sion. Uma vez, o médium do centro recebeu uma mensagem espírita dizendo que ela deveria comprar uma cesta básica para o meu pai, visto que nós passávamos dificuldades. Papai aceitou o presente de "muito bom" grado, ainda mais com as recomendações vindas do além que mexeram com a sua imaginação. Nunca faltou comida aqui em casa. Mas realmente, nas semanas que antecederam o acontecido, as coisas não estavam boas e o pouco dinheiro na carteira pode ser direcionado a outras contas. Feliz Natal a todos!
Sunday, December 16, 2007
Há muito tempo, papai instalou um telefone no hall de entrada da casa, perto da cozinha, para que, quando uma ligação tocasse na hora do almoço ou jantar, o retorno à mesa fosse abreviado, pois papai fazia questão da família completa. Uma vez, no meio do jantar, o telefone tocou e ele foi atender. Era uma dessas fundações tipo APAE pedindo doações. Papai olhou para a mesa, com uma cara de quem não sabia o que dizer. E nós todos estávamos curiosos em saber o que ocorria. Até que, meio num lampejo e para despachar logo a ligação inconveniente, ele disse numa voz meio "capial":
"Aqui é o Antônio, o jardineiro! Tenho que esperar meu patrão chegar... Pra ver esse negócio de doação..."
Quando o fone foi colocado no gancho, todos nós rimos pra caramba.
Saturday, December 08, 2007
Ainda sobre fuscas
Essa ninguém da minha família irá se lembrar. Mas nós tivemos um fusquinha branco. Uma das minhas memórias mais antigas é termos ido à praia nele. Eu e minha irmã íamos rolando no banco traseiro que estava deitado.
Esse Fusca branco foi roubado em Barbacena na frente da casa da minha avó, na R. Washington Luis. Eu devia ter uns 5 anos e me recordo bem, porque quando a polícia chegou para fazer o BO, papai fez questão que eu visse o funcionamento do rádio do carro da polícia (que também era um fusca!). A família e os curiosos estavam todos na rua. O carro foi achado umas semanas depois intacto. Inclusive com os óculos escuros do papai no painel. No entanto, a caixa de ferramentas que ele levava no porta-malas foi levada. Eu fiquei muitos anos escutando, toda vez que papai precisava de alguma ferramenta, por exemplo, o alicate de bico, as reclamações a respeito do roubo...
Saturday, November 24, 2007
Em 1987, papai gastou uma grana e comprou um computador XT para a firma de engenharia. Ele veio com os seguintes softwares: Wordstar, Lotus123. Eu me lembro como se fosse hoje a demonstração que ele fez sobre o que era uma Planilha Eletrônica para mim e para o André, usando, como exemplo, ingredientes de uma feijoada! Eu confesso que não vi muita graça, visto que já tínhamos um MSX em casa para outros fins. Mas era tão raro possuir computadores na época, que me lembro bem do fascínio que a máquina produzia em alguns primos que iam ao escritório para "sacar" qual era da máquina. Quando a firma faliu, ele trouxe o computador para casa. E pouco tempo depois equipou-o com um HD 5e1/4 de 20 megas, porque até então tudo ficava em disquete. Quando compramos o 486 em 1994, ele foi trocado por uma impressora Epson LX. O dinheiro da venda do MSX deu para comprar o Modem Zoltrix 14400bps.
Sunday, October 28, 2007
Quando eu tinha 4 ou 5 anos de idade, acordei num belo dia de semana, e abri o maior bué porque queria ir trabalhar com o papai. Foi uma pirraça das tantas! Eu lembro da minha mãe falando:
"E agora Cesar ? O que a gente vai fazer ?"
"O jeito que tem é ele ir trabalhar comigo..."
E assim fomos juntos, eu e papai para o escritório numa caminhonete F1000 da firma. Ser um dos donos da firma tinha lá suas vantagens, como essa.
No entanto, na terceira curva, aqui perto de casa, a gasolina da F1000 acabou. Hoje, no meu entendimento do mundo, não foram por acaso os 2 acontecimentos no mesmo dia!
A sorte era que no veículo tinha um galãozinho e mangueiras de plástico. Tivemos que andar uma subida enorme (pouco mais de 1km) até o carro do condomínio, uma Brasilia bege escuro, onde papai colheu a gasolina.
Depois foi só voltar tudo de volta, fazer o sifão e dar a partida na F1000! Foi uma aventura, ir trabalhar nesse dia com o papai!
"E agora Cesar ? O que a gente vai fazer ?"
"O jeito que tem é ele ir trabalhar comigo..."
E assim fomos juntos, eu e papai para o escritório numa caminhonete F1000 da firma. Ser um dos donos da firma tinha lá suas vantagens, como essa.
No entanto, na terceira curva, aqui perto de casa, a gasolina da F1000 acabou. Hoje, no meu entendimento do mundo, não foram por acaso os 2 acontecimentos no mesmo dia!
A sorte era que no veículo tinha um galãozinho e mangueiras de plástico. Tivemos que andar uma subida enorme (pouco mais de 1km) até o carro do condomínio, uma Brasilia bege escuro, onde papai colheu a gasolina.
Depois foi só voltar tudo de volta, fazer o sifão e dar a partida na F1000! Foi uma aventura, ir trabalhar nesse dia com o papai!
Monday, October 01, 2007
Com 15 anos entrei para o CEFET-MG e logo no primeiro semestre houve uma grande greve dos professores.
Após uns 40 dias de greve, uma reunião dos professores com os alunos foi realizada para que eles pudessem explicar a posição deles. Muitos pais de alunos estavam presentes e preocupados. Principalmente aqueles cujos os filhos eram oriundos da rede particular de ensino, como eu.
A reunião então começou no auditório lotado, com mais de 600 pessoas entre pais, alunos e professores. Logo no início, o grêmio estudantil que era contra a greve fez alguma bagunça e quase todo auditório vaiou um dos professores antes dele começar a falar.
Esse professor que era diretor de alguma coisa ficou indignado. E a decisão deles foi suspender a reunião, alegando falta de educação, enquanto os alunos e o grêmio não se retirassem do auditório.
Estava criado o impasse: se os alunos não saíssem, os professores não continuariam a reunião. Muitos até saíram, porque a palhaçada dos professores foi grande.
O que aconteceu foi que papai, como um bom libriano, pediu o microfone para falar. E ele então começou muito calmo:
"Bom dia a todos! Meu nome é Cesar Augustus e sou um pai de aluno..."
Ainda muito calmo, ele "soltou os cachorros" de uma forma inesperada para os professores que ficaram brancos:
"Acho que o que aconteceu aqui, não condiz com a estatura de uma instituição do tamanho do CEFET! ... digo isso, porque alunos fazem bagunça mesmo."
O auditório inteiro foi ao delírio e aplaudiu papai. Ele esperou e continuou:
"Eu, quando era aluno, fazia bagunça..." Mais aplausos, gritos e assovios de aprovação.
E ele continuou, lançando a pergunta:
"E se vocês, professores, não estão conseguindo dar continuidade a essa reunião, como é que tratarão um assunto muito mais importante como a greve ?? "
Nessa hora, era uma catarse coletiva. E como se não bastasse, ele ainda disse:
"Eu sou engenheiro, eu posso dar aula de matemática e física!!"
"Se vocês não estiverem querendo dar aula, eu venho aqui e dou aula! Nós, os pais de alunos, ajuntaremos e daremos aulas!!!"
Papai "baixou um pouco a bola" e falou que a reunião teria que continuar de qualquer maneira e despediu-se de todos. Todo o auditório aplaudiu o papai. Eu na platéia também recebia cumprimentos e elogios.
Os professores, muito sem graça (mas putos, com certeza), pediram desculpas e continuaram a reunião com os alunos.
Obviamente, papai saiu do auditório rapidamente. Ele dizia que depois desse dia, sempre que entrava no CEFET, alguns professores o olhavam com olhos tortos.
Após uns 40 dias de greve, uma reunião dos professores com os alunos foi realizada para que eles pudessem explicar a posição deles. Muitos pais de alunos estavam presentes e preocupados. Principalmente aqueles cujos os filhos eram oriundos da rede particular de ensino, como eu.
A reunião então começou no auditório lotado, com mais de 600 pessoas entre pais, alunos e professores. Logo no início, o grêmio estudantil que era contra a greve fez alguma bagunça e quase todo auditório vaiou um dos professores antes dele começar a falar.
Esse professor que era diretor de alguma coisa ficou indignado. E a decisão deles foi suspender a reunião, alegando falta de educação, enquanto os alunos e o grêmio não se retirassem do auditório.
Estava criado o impasse: se os alunos não saíssem, os professores não continuariam a reunião. Muitos até saíram, porque a palhaçada dos professores foi grande.
O que aconteceu foi que papai, como um bom libriano, pediu o microfone para falar. E ele então começou muito calmo:
"Bom dia a todos! Meu nome é Cesar Augustus e sou um pai de aluno..."
Ainda muito calmo, ele "soltou os cachorros" de uma forma inesperada para os professores que ficaram brancos:
"Acho que o que aconteceu aqui, não condiz com a estatura de uma instituição do tamanho do CEFET! ... digo isso, porque alunos fazem bagunça mesmo."
O auditório inteiro foi ao delírio e aplaudiu papai. Ele esperou e continuou:
"Eu, quando era aluno, fazia bagunça..." Mais aplausos, gritos e assovios de aprovação.
E ele continuou, lançando a pergunta:
"E se vocês, professores, não estão conseguindo dar continuidade a essa reunião, como é que tratarão um assunto muito mais importante como a greve ?? "
Nessa hora, era uma catarse coletiva. E como se não bastasse, ele ainda disse:
"Eu sou engenheiro, eu posso dar aula de matemática e física!!"
"Se vocês não estiverem querendo dar aula, eu venho aqui e dou aula! Nós, os pais de alunos, ajuntaremos e daremos aulas!!!"
Papai "baixou um pouco a bola" e falou que a reunião teria que continuar de qualquer maneira e despediu-se de todos. Todo o auditório aplaudiu o papai. Eu na platéia também recebia cumprimentos e elogios.
Os professores, muito sem graça (mas putos, com certeza), pediram desculpas e continuaram a reunião com os alunos.
Obviamente, papai saiu do auditório rapidamente. Ele dizia que depois desse dia, sempre que entrava no CEFET, alguns professores o olhavam com olhos tortos.
Thursday, September 27, 2007
Caso relatado pelo meu primo Marquito.
Eles estavam indo para o 2 casamento do tio Luisinho em Barbacena, quando papai falou:
"Marquito, eu estou para receber uma grana e quando receber eu te pago!"
"Pagar o quê, Cesar?"
"A camisa nova que você vai comprar para mim para o casamento do seu pai".
"E o litro do Whisky também".
Eles então pararam no BH Shopping e Marquito passou o cartão para a camisa e o Whisky para irem tomando. Só no meio da estrada perceberam que tinham atrasado muito e o casamento começara. E o Marquito era padrinho do pai dele!!
A turma atrasou o que pode do casamento ao saber que os dois vinham juntos de BH (na época não existia celular). Marquito me contou que chegou na hora de assinar como testemunha. Depois, eu perguntei: "E o meu pai te pagou?" Ele falou: "Nós dividimos de 3 ou 4 vezes. Era algo do tipo 33, 33 e 33. Só faltou ele pagar a última." E completou: "Mas ele sempre lembrava..."
Eles estavam indo para o 2 casamento do tio Luisinho em Barbacena, quando papai falou:
"Marquito, eu estou para receber uma grana e quando receber eu te pago!"
"Pagar o quê, Cesar?"
"A camisa nova que você vai comprar para mim para o casamento do seu pai".
"E o litro do Whisky também".
Eles então pararam no BH Shopping e Marquito passou o cartão para a camisa e o Whisky para irem tomando. Só no meio da estrada perceberam que tinham atrasado muito e o casamento começara. E o Marquito era padrinho do pai dele!!
A turma atrasou o que pode do casamento ao saber que os dois vinham juntos de BH (na época não existia celular). Marquito me contou que chegou na hora de assinar como testemunha. Depois, eu perguntei: "E o meu pai te pagou?" Ele falou: "Nós dividimos de 3 ou 4 vezes. Era algo do tipo 33, 33 e 33. Só faltou ele pagar a última." E completou: "Mas ele sempre lembrava..."
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