/>Enviada em: sábado, 18 de agosto de 2007 19:50
Para: EZEQUIEL CAMPOS PEREIRA Assunto: Re: enquanto descansamos, carregamos pedras
Entrei no Blog e dei umas boas risadas e cheguei a ficar com o coração apertado, pois bateu uma saudade muito grande do seu pai. Vou lembrando alguma coisa e vou te passando.
Trabalhamos com o Cesar (meu Mestre na arte de projetar) e estávamos uma vez todos reunidos e o telefone tocou e era um cliente novo indicado por algum amigo. E a conversa esticou com o futuro cliente e o Cesar tentava mostrar que nós eramos os melhores de Belo Horizonte e não faltavam adjetivos para falar de nossa empresa, e ele descrevia tudo o que o escritório seria capaz de fazer e, a certa altura, como desfecho final, ele falou: "Olha!... Nós somos especializados em resolver qualquer tipo de negócio" tivemos que sair da sala porque riamos de cair no chão e isso virou folclore e até hoje eu, Mário, Paulo Bedê e Alcino sempre, quando nos encontramos, lembramos esse fato que foi um dos melhores que já presenciamos.
Outra. Eu trabalhava com o Cesar já há uns dois anos e recebia por serviço e não havia salário. Ele tinha uma caderneta e ia anotando, e a minha foi acumulando e, a certa altura, ele me propôs vender o seu "fusquinha branco" e eu poderia pagar com os serviços de projeto. Um dia chegou o valor e eu fui buscar o fusquinha e minha emoção era muito grande, pois era o meu primeiro carro. O Cesar fez um discurso, falou sobre o carro, os bons momentos que passou com ele e mil recomendações que, claro... Não me lembro mais.
Passado uns meses, um dia ele me perguntou: "Rony quando você vai me devolver o carro?"
Eu falei: "Uai, Cesar! Eu comprei ele de você?!"
Ele respondeu: "Foi mesmo... eu achei que era um empréstimo!"
Fiquei sinceramente com pena dele, pois ela gostava muito do carro e fiquei anos com o fusquinha branco e às vezes dava vontade de devolvê-lo, mas os tempos eram difíceis e nunca consegui. Abraços, Rony
Cesar Augustus Pereira 15/10/1951 - 10/05/2004 Weblog dedicado a vida e obra de Cesar Augustus, através das memórias de seus filhos, familiares e amigos.
Sunday, August 26, 2007
Sunday, August 19, 2007
Dr. João.
[Pequena introdução]
O Dr. João é médico homeopata que cuida da saúde da saúde da família. Nós vamos ao seu consultório desde pequenos.
Bastaria dizer somente que quando papai fez a cirurgia fatídica, ele assistiu-a como convidado. E quando toda junta médica lavou suas mãos e entregou o caso para Deus, o Dr. João foi o único a oferecer uma esperança alternativa. E nesse caso, segurar uma barra pesadíssima junto com a gente.
[Fim da pequena introdução]
Alguns dias depois do falecimento do papai, o Dr. João me relatou o seguinte sonho que ele teve:
O papai estava enfermo na cama. O Dr. João sabendo que ele já havia morrido questionou-o: "Cesar! Você está morto!"
Papai olhou-o com aquela cara...
O Dr. continuou: "Cesar você não encontrou com seu pai e sua mãe ainda não?"
Papai respondeu no sonho: "Ainda não, João..." ele fez uma pausa "Eu ainda estou refletindo sobre o que é viver."
[Pequena introdução]
O Dr. João é médico homeopata que cuida da saúde da saúde da família. Nós vamos ao seu consultório desde pequenos.
Bastaria dizer somente que quando papai fez a cirurgia fatídica, ele assistiu-a como convidado. E quando toda junta médica lavou suas mãos e entregou o caso para Deus, o Dr. João foi o único a oferecer uma esperança alternativa. E nesse caso, segurar uma barra pesadíssima junto com a gente.
[Fim da pequena introdução]
Alguns dias depois do falecimento do papai, o Dr. João me relatou o seguinte sonho que ele teve:
O papai estava enfermo na cama. O Dr. João sabendo que ele já havia morrido questionou-o: "Cesar! Você está morto!"
Papai olhou-o com aquela cara...
O Dr. continuou: "Cesar você não encontrou com seu pai e sua mãe ainda não?"
Papai respondeu no sonho: "Ainda não, João..." ele fez uma pausa "Eu ainda estou refletindo sobre o que é viver."
Thursday, August 09, 2007
Hoje fui no Dr. Valênio, oftmologista da família. Lembramos uns casos do papai:
1.
Minha última consulta foi em conjunto com o papai, no dia 21/02/2001 (segundo a receita). Nesse dia lembro claramente meu pai falando:
"Valênio, eu estou impressionado com a velocidade que minha visão está indo pro espaço!" "Cada dia que passa, eu estou enxergando menos..."
O Dr. Valênio respondeu, numa tentativa de acalentar a insatisfação da alma do papai:
"Cesar! Isso é envelhecer... Por outro lado, você está ficando mais sábio com o passar do tempo..."
Papai retribuiu com um largo sorriso e disse: " é você tá certo...". Era o sinal que a sabedoria do Dr. Valênio funcionara.
2.
Numa outra consulta, papai estava reclamando da velha falta de grana de forma lamuriosa:
"Sabe Valênio, o problema é que não poupei nenhum dinheiro durante toda a vida. Gastei tudo com viagens ao exterior."
O Dr. respondeu:
"Cesar, você fez aquilo que nós jovens queríamos fazer, mas não tivemos coragem!"
1.
Minha última consulta foi em conjunto com o papai, no dia 21/02/2001 (segundo a receita). Nesse dia lembro claramente meu pai falando:
"Valênio, eu estou impressionado com a velocidade que minha visão está indo pro espaço!" "Cada dia que passa, eu estou enxergando menos..."
O Dr. Valênio respondeu, numa tentativa de acalentar a insatisfação da alma do papai:
"Cesar! Isso é envelhecer... Por outro lado, você está ficando mais sábio com o passar do tempo..."
Papai retribuiu com um largo sorriso e disse: " é você tá certo...". Era o sinal que a sabedoria do Dr. Valênio funcionara.
2.
Numa outra consulta, papai estava reclamando da velha falta de grana de forma lamuriosa:
"Sabe Valênio, o problema é que não poupei nenhum dinheiro durante toda a vida. Gastei tudo com viagens ao exterior."
O Dr. respondeu:
"Cesar, você fez aquilo que nós jovens queríamos fazer, mas não tivemos coragem!"
Friday, August 03, 2007
Censo2000!
Ontem, recebemos pelo correio a propaganda do Censo 2007 do IBGE. Foi quando contei, para o meu irmão e mais 2 pedreiros que racharam de rir, a seguinte história:
No último censo em 07/2000 papai foi uma das únicas pessoas encontradas na rua pelo recenseador do IBGE. Diante do desânimo da pessoa em voltar outro dia (aqui no condomínio, eles andam a pé de casa em casa. E muito!), papai então convenceu o fiscal que conhecia toda a rua e poderia muito bem responder o censo das outras pessoas. O que era verdade.
Só que para algums vizinhos específicos, ele informou salários absurdos, muito mais altos do eles provavelmente ganhavam. Confesso que não achei ético, mas na cabeça do papai, era realmente o salário que eles ganhavam...
No entanto, qual foi a nossa surpresa, quando meses depois, um de nossos vizinhos teve seu salário publicado nos principais jornais de Minas por causa de um escândalo na Assembléia. O salário publicado era mais que o dobro do salário inventado pelo papai...
Ontem, recebemos pelo correio a propaganda do Censo 2007 do IBGE. Foi quando contei, para o meu irmão e mais 2 pedreiros que racharam de rir, a seguinte história:
No último censo em 07/2000 papai foi uma das únicas pessoas encontradas na rua pelo recenseador do IBGE. Diante do desânimo da pessoa em voltar outro dia (aqui no condomínio, eles andam a pé de casa em casa. E muito!), papai então convenceu o fiscal que conhecia toda a rua e poderia muito bem responder o censo das outras pessoas. O que era verdade.
Só que para algums vizinhos específicos, ele informou salários absurdos, muito mais altos do eles provavelmente ganhavam. Confesso que não achei ético, mas na cabeça do papai, era realmente o salário que eles ganhavam...
No entanto, qual foi a nossa surpresa, quando meses depois, um de nossos vizinhos teve seu salário publicado nos principais jornais de Minas por causa de um escândalo na Assembléia. O salário publicado era mais que o dobro do salário inventado pelo papai...
Sunday, July 29, 2007
Uma vez, estávamos numa farmácia homeopática que existia na praça ABC (aonde é aquela lanchonete ou então o bar Dalva). No balcão ele falou da teoria com a farmacêutica. Havia um biólogo esperando. Ele também entrou na conversa, dando exemplos da teoria na área de biologia. Foi muito legal!
Cresci escutando, durante mais de um ano, a história que a equação x^4-1=0 tem quatro raízes (o que é trivial para qualquer pessoa com formação em exatas), mas não era o caso da platéia que o escutava o papai na maioria das vezes. Quando ele estava de posse do livro, mostrava as figuras o que acabava facilitando a explicação. Mas quem entendia pouco de matemática, sempre olhava o papai com os olhos assustados!!
A figura que acompanha esse post mostra o comportamento caótico quando a equação acima é resolvida pelo Método de Newton cujos parâmetros iniciais não estão perto de nenhuma das raízes: 1,-1,i,-i (elas são aqueles pontos mais claros no meio das cores cheias).
A figura foi retirada desse site: link
Thursday, July 19, 2007
Quando papai faleceu, 2 dias depois o Fernando escreveu no seu blog um depoimento sobre o papai, sobre a morte e sobretudo sobre a vida.
Li em voz alta esse texto para a família, repassei para os colegas de trabalho (porque na época estava sem forças para escrever o meu). Todos se emocionaram!
O texto é um dos mais bacanas que já li!
i'm set free
Li em voz alta esse texto para a família, repassei para os colegas de trabalho (porque na época estava sem forças para escrever o meu). Todos se emocionaram!
O texto é um dos mais bacanas que já li!
i'm set free
Monday, July 09, 2007
Uma das últimas obras que o papai fez, foi a reforma da agência de correio do Henrique.
Papai estava muito desgastado com quase todos os peões da obra, que faziam muita coisa errada, enrolavam serviço e etc. Sua doença já estava bem avançada no corpo físico (nós só não sabíamos disso).
Para mim, papai já estava cansado da vida. Mas ele deu o troco, numa situacão teatral, contra a falta de comprometimento de toda equipe.
Era 11 de Setembro, aniversário de dois anos da queda das torres gêmeas. Papai reuniu a equipe de pedreiros, encarregados, eletricistas e mais alguns funcionários do correio presentes na hora, juntanto umas 10 pessoas. Ele começou pedindo que todos dessem as mãos e rezassem um Pai-nosso em voz alta em homenagem às vítimas do atentado.
Até ai tudo bem, só que ao acabar o Pai-nosso, papai começou um discurso inflamado, enfatizando a braveza do ato dos terroristas da Al-Qaeda que mudaram o mundo.
O Henrique, meu cunhado, achou a maior graça, mas conseguiu manter-se sério. Certamente, muitos perceberam que estavam diante de uma situação maluca. Poucos perceberam a ambiguidade do discurso. Mas ninguém percebeu a verdade: que papai fazia hora com a cara de todos.
Papai estava muito desgastado com quase todos os peões da obra, que faziam muita coisa errada, enrolavam serviço e etc. Sua doença já estava bem avançada no corpo físico (nós só não sabíamos disso).
Para mim, papai já estava cansado da vida. Mas ele deu o troco, numa situacão teatral, contra a falta de comprometimento de toda equipe.
Era 11 de Setembro, aniversário de dois anos da queda das torres gêmeas. Papai reuniu a equipe de pedreiros, encarregados, eletricistas e mais alguns funcionários do correio presentes na hora, juntanto umas 10 pessoas. Ele começou pedindo que todos dessem as mãos e rezassem um Pai-nosso em voz alta em homenagem às vítimas do atentado.
Até ai tudo bem, só que ao acabar o Pai-nosso, papai começou um discurso inflamado, enfatizando a braveza do ato dos terroristas da Al-Qaeda que mudaram o mundo.
O Henrique, meu cunhado, achou a maior graça, mas conseguiu manter-se sério. Certamente, muitos perceberam que estavam diante de uma situação maluca. Poucos perceberam a ambiguidade do discurso. Mas ninguém percebeu a verdade: que papai fazia hora com a cara de todos.
Sunday, July 01, 2007
Agora pouco conversava com o tio Luizinho e o tio Cláudio que iria pegar um ônibus para Niteroi às 23:10hrs e estava preocupado com o horário de saída para chegar à rodoviária com calma.
Eu falei: "Podemos sair às 22:40 com folga, para que a gente, usando um termo que papai gostava, possa 'parkear' o carro com calma."
Eles cairam na gargalhada.
Eu falei: "Podemos sair às 22:40 com folga, para que a gente, usando um termo que papai gostava, possa 'parkear' o carro com calma."
Eles cairam na gargalhada.
Wednesday, June 13, 2007
Quando fez 50 anos, papai resolveu fazer uma pós-graduação na UFMG.
Na época, eu fui contra, pois era paga, via Fundação Cristiano Otoni e nós já estávamos apertados de grana. Porém, hoje revendo a história foi um dos troços mais ducaralhos que ele fez.
Papai fez tanta zona na turma. Levou máquina fotográfica, fotografou todo mundo, produziu um churrasco no campus, deu carona para o pessoal de fora de BH, fez amigos, conversou com todos os professores do dep., brigou com alguns, tirou sarro, ensinou, aprendeu um pouco, copiou trabalhos, desconversou, tocou violão, arrumou serviço no campus para ele e para os outros e etc.
Os colegas da pequena turma, após algumas semanas, simplesmente passaram a chamá-lo de "Mestre". Isso com todos os PhDs que rondam por lá.
Pois então, quando ele fez a cirurgia para tentar retirar o câncer, ainda faltava uma matéria para terminar os créditos. Diante da situação sensível o prof. autorizou a realização das provas em casa juntamente com um trabalho em dupla.
O colega Rubaiyat esteve aqui em casa com um gravador para registrar a apresentação do trabalho feita pelo papai. Antes, eles ligaram o rádio, já sintonizado na GeraesFM, para colocar uma música de fundo qualquer. Bem a calhar, estava tocando Desculpe Baby dos Mutantes!
A parte engraçada, dizem, é que no meio da gravação mostrada na sala de aula havia uma "ordem" nas falas do papai:
"Rubaiyat, pode mudar a transparência. Prossiga!"
Na época, eu fui contra, pois era paga, via Fundação Cristiano Otoni e nós já estávamos apertados de grana. Porém, hoje revendo a história foi um dos troços mais ducaralhos que ele fez.
Papai fez tanta zona na turma. Levou máquina fotográfica, fotografou todo mundo, produziu um churrasco no campus, deu carona para o pessoal de fora de BH, fez amigos, conversou com todos os professores do dep., brigou com alguns, tirou sarro, ensinou, aprendeu um pouco, copiou trabalhos, desconversou, tocou violão, arrumou serviço no campus para ele e para os outros e etc.
Os colegas da pequena turma, após algumas semanas, simplesmente passaram a chamá-lo de "Mestre". Isso com todos os PhDs que rondam por lá.
Pois então, quando ele fez a cirurgia para tentar retirar o câncer, ainda faltava uma matéria para terminar os créditos. Diante da situação sensível o prof. autorizou a realização das provas em casa juntamente com um trabalho em dupla.
O colega Rubaiyat esteve aqui em casa com um gravador para registrar a apresentação do trabalho feita pelo papai. Antes, eles ligaram o rádio, já sintonizado na GeraesFM, para colocar uma música de fundo qualquer. Bem a calhar, estava tocando Desculpe Baby dos Mutantes!
A parte engraçada, dizem, é que no meio da gravação mostrada na sala de aula havia uma "ordem" nas falas do papai:
"Rubaiyat, pode mudar a transparência. Prossiga!"
Monday, June 04, 2007
Quando erámos muito pequenos, nas viagens para Barbacena, papai sempre nos perguntava se gostaríamos de ir pelo caminho mais longo ou pelo caminho mais curto.
Eu e minha irmã respondíamos em coro: "Pelo caminho mais curto!!"
Certa vez, nós voltamos de Barbacena com o vô Oswaldo. Quando chegamos em casa, papai nos perguntou como tinha sido a viagem. Nós falamos desanimados: "Ah... o vovô veio pelo caminho mais longo..."
Eu e minha irmã respondíamos em coro: "Pelo caminho mais curto!!"
Certa vez, nós voltamos de Barbacena com o vô Oswaldo. Quando chegamos em casa, papai nos perguntou como tinha sido a viagem. Nós falamos desanimados: "Ah... o vovô veio pelo caminho mais longo..."
Saturday, May 19, 2007
Atenção leitores! O caso que segue é a situação que mais ri na vida e aconteceu no final de 1999:
Quando tal modelo ficou comum, papai adquiriu um par de óculos multifocal, passando a enxergar bem melhor. Enxergando, inclusive, coisas que não devia.
Ele havia acabado de me pegar no cursinho Soma e já tinha pego o Rafa no St. Dorotéia e íamos todos p/ casa para almoçar, como habitualmente fazíamos. No sinal da Av. Augusto de Lima, prestes a virar o carro na rua da Bahia, papai olhava p/ a paisagem urbana ao redor do veículo, maravilhado com as coisas que ele agora podia enxergar de óculos.
"Tá vendo aquele letreiro ali?!" perguntava papai, se referindo a alguma coisa escrita num ônibus.
"Sim..." respondemos mal humorados
"Eu consigo ler. Que maravilha!"
"Tá vendo aquilo ali? Vocês enxergam?" e continuava ele perguntando maravilhado.
Percebendo que eu e meu irmão estávamos de saco-cheio, já com aquele mal humor de fome, papai nos pregou a seguinte peça. Ele continuou sua viagem visual girando sua cabeça vagarosamente para direita, exclamando como era bom ver os detalhes das coisas. Quando meu irmão, que estava no banco da frente, entrou no campo visual dele, papai fingiu assustar-se com a cara do Rafa vista através dos óculos pulando p/ o lado oposto no banco do carro.
Eu ri prá caralho! Durante minutos, da barriga doer de tanto rir! Foi muito engraçado!
Quando tal modelo ficou comum, papai adquiriu um par de óculos multifocal, passando a enxergar bem melhor. Enxergando, inclusive, coisas que não devia.
Ele havia acabado de me pegar no cursinho Soma e já tinha pego o Rafa no St. Dorotéia e íamos todos p/ casa para almoçar, como habitualmente fazíamos. No sinal da Av. Augusto de Lima, prestes a virar o carro na rua da Bahia, papai olhava p/ a paisagem urbana ao redor do veículo, maravilhado com as coisas que ele agora podia enxergar de óculos.
"Tá vendo aquele letreiro ali?!" perguntava papai, se referindo a alguma coisa escrita num ônibus.
"Sim..." respondemos mal humorados
"Eu consigo ler. Que maravilha!"
"Tá vendo aquilo ali? Vocês enxergam?" e continuava ele perguntando maravilhado.
Percebendo que eu e meu irmão estávamos de saco-cheio, já com aquele mal humor de fome, papai nos pregou a seguinte peça. Ele continuou sua viagem visual girando sua cabeça vagarosamente para direita, exclamando como era bom ver os detalhes das coisas. Quando meu irmão, que estava no banco da frente, entrou no campo visual dele, papai fingiu assustar-se com a cara do Rafa vista através dos óculos pulando p/ o lado oposto no banco do carro.
Eu ri prá caralho! Durante minutos, da barriga doer de tanto rir! Foi muito engraçado!
Friday, May 11, 2007
Lá pelos idos de 1991, após muita insistência de minha mãe, meu pai contratou um advogado para adicionar o sobrenome do meu avô materno ao meu nome e de meus irmãos.
A explicação para isto de alguma maneira está relacionada com a psicanálise...
Então, era comum eu escutar minha mãe falar diversas vezes:
"Cesar! Você ligou para o Lúcio para olhar a mudança do nome das crianças??"
"Cesar! Você já ligou p/ o Lúcio?".
Mas o processo nunca saia do lugar.
Segundo o advogado, Lúcio, o papai até ligava, inclusive falavam quase 2 horas no telefone a cada ligação. O advogado explicava que já havia feito a petição e etc, mas precisava das certidões de nascimento. Papai parecia nunca entender, pois não enviava nossas certidões de nascimento.
Ontem, conheci por acaso esse advogado que tentou tocar esse processo maluco. Ele contou alguns casos do papai. Não lembrou onde se conheceram, mas comentou que antes de conhecer o casal "Cesar e Nivalda", eles eram uma espécie de lenda, pois vários amigos em comum os exaltavam, dizendo coisas do tipo: "Vocês tem que conhecer o Cesar e a Nivalda". Um casal em chamas.
A explicação para isto de alguma maneira está relacionada com a psicanálise...
Então, era comum eu escutar minha mãe falar diversas vezes:
"Cesar! Você ligou para o Lúcio para olhar a mudança do nome das crianças??"
"Cesar! Você já ligou p/ o Lúcio?".
Mas o processo nunca saia do lugar.
Segundo o advogado, Lúcio, o papai até ligava, inclusive falavam quase 2 horas no telefone a cada ligação. O advogado explicava que já havia feito a petição e etc, mas precisava das certidões de nascimento. Papai parecia nunca entender, pois não enviava nossas certidões de nascimento.
Ontem, conheci por acaso esse advogado que tentou tocar esse processo maluco. Ele contou alguns casos do papai. Não lembrou onde se conheceram, mas comentou que antes de conhecer o casal "Cesar e Nivalda", eles eram uma espécie de lenda, pois vários amigos em comum os exaltavam, dizendo coisas do tipo: "Vocês tem que conhecer o Cesar e a Nivalda". Um casal em chamas.
Sunday, May 06, 2007
Certa vez, virou moda no Brasil a venda de quadros com brasões de famílias de origens portuguesas e espanholas. Esses quadros bordados e/ou impressos ficavam expostos em diversos lugares de BH.Numa dessas exposições no BH Shopping, papai tirou um papel da pasta e muito interessado começou a fazer um croqui do brasão da família Pereira. Logo veio uma pessoa da empresa dizendo que ele não poderia copiar o brasão por causa de direitos autorais e tal...
Papai indignou-se na hora (como usual) e falou: "Meu amigo: eu é que vou te processar!" "Você está aqui, ganhando dinheiro indevidamente com o brasão da minha família!!".
O cara tentou contra-argumentar, mas não conseguiu diante da indignação de papai. Logo, ele acabou se recolhendo...
Monday, April 30, 2007
Meu primo Pedro Henrique me contou este caso acontecido a muito tempo atrás:
Uma vez minha tia hospedou papai em São José dos Campos. Na época, o apartamento era do lado de uma rodovia, e mesmo sendo um andar alto, o barulho era enorme.
Ao entrar no quarto, minha tia viu meu pai deitado com o travesseiro e as mãos sobre a cabeça.
Ela perguntou: "Cesar! Você está passando mal??".
Papai meio aborrecido respondeu: "Não sei como vocês conseguem dormir aqui! O barulho é infernal...".
Papai continuou: "Isto até explica o fato do Cláudio ser meio perturbado..." (Cláudio era o marido da minha tia. Um casamento que para variar não deu certo).
Uma vez minha tia hospedou papai em São José dos Campos. Na época, o apartamento era do lado de uma rodovia, e mesmo sendo um andar alto, o barulho era enorme.
Ao entrar no quarto, minha tia viu meu pai deitado com o travesseiro e as mãos sobre a cabeça.
Ela perguntou: "Cesar! Você está passando mal??".
Papai meio aborrecido respondeu: "Não sei como vocês conseguem dormir aqui! O barulho é infernal...".
Papai continuou: "Isto até explica o fato do Cláudio ser meio perturbado..." (Cláudio era o marido da minha tia. Um casamento que para variar não deu certo).
Monday, April 02, 2007
Universal
O Dr. Lucas Figueiredo me contou este caso do papai.
Ele falou que na época que ele estava trabalhando para a Igreja Universal do Reino de Deus, executando a obra de uma igreja da UdRdD que ficava na Av. do Contorno um pouco antes da Av. Cristovão Colombo. Nesta época, ele ficou muito amigo dos pastores, inclusive a ponto de ser convidado a fazer o curso de pastor e etc.
Pois então: havia um pastor lá, meio bronco, que era um dos mais chegados. Até um dia, que outro Pastor chegou e falou para o papai: "Você, Cesar, não vire as costas para o 'Pastor fulano' (o bronco)..." "mas por que?" "O 'Pastor fulano' é um ex-criminoso, já matou mais de 5 pessoas!!!"
Wednesday, March 28, 2007
Certa vez, nós hospedamos o pintor Emeric Marcier aqui em casa. Eu devia ter uns 4 anos. E como ele tinha todos os cabelos e barba brancos, papai falou que nós estávamos hospedando o papai Noel. Imaginem como eu não fiquei nas nuvens: papai conhecia o papai Noel e ele estava na minha casa de férias!
Sunday, March 18, 2007
Saturday, February 24, 2007
Papai não tinha "papas na língua":
Após convencer um juiz federal e sua esposa a trocarem o arquiteto no início da obra, uma vez que o projeto não estava bom, na primeira reunião com a nova arquiteta, após ela ter apresentado seu projeto, papai foi logo falando:
"Isto é um absurdo! Não funciona!"
"Isto também não" E etc...
O juiz que posteriormente me contou o caso, rindo muito, falou que na hora a situação foi tensa. Sei que a arquiteta ficou magoada, porém nesta época papai tinha todas as desculpas para não medir as palavras!
Ainda, estimo que papai tenha feito mais de 200 residências na vida. Vocês querem o que de alguém assim?
Após convencer um juiz federal e sua esposa a trocarem o arquiteto no início da obra, uma vez que o projeto não estava bom, na primeira reunião com a nova arquiteta, após ela ter apresentado seu projeto, papai foi logo falando:
"Isto é um absurdo! Não funciona!"
"Isto também não" E etc...
O juiz que posteriormente me contou o caso, rindo muito, falou que na hora a situação foi tensa. Sei que a arquiteta ficou magoada, porém nesta época papai tinha todas as desculpas para não medir as palavras!
Ainda, estimo que papai tenha feito mais de 200 residências na vida. Vocês querem o que de alguém assim?
Saturday, January 13, 2007
Tolerância zero.
Um pouco antes de adoecer, papai estava fazendo o projeto do aeroporto de Ituiutaba e Poço de Caldas para o DER. Nas idas e vindas, num desses restaurantes 24hrs de rodoviária, ele pediu para o balconista:
"Por favor, que gostaria de um ovo quente."
"Não temos ovo quente, Sr." Disse o atendente.
"Como assim??" Papai replicou.
"Isto mesmo!"
"Então sirva um pouco dessa água fervendo p/ café, aqui neste copo." Papai pediu. "Agora, me dê um ovo, ali, daquela pilha de caixas."
Após receber o ovo, papai colocou o mesmo dentro do copo de água e o balconista exclamou, imagino eu, perplexo: "Ah!! Então você queria um ovo cozido??"
Não sei quanto a vocês, mas existem algumas diferenças entre um ovo cozido e um ovo quente. E meu pai queria um ovo quente!
Um pouco antes de adoecer, papai estava fazendo o projeto do aeroporto de Ituiutaba e Poço de Caldas para o DER. Nas idas e vindas, num desses restaurantes 24hrs de rodoviária, ele pediu para o balconista:
"Por favor, que gostaria de um ovo quente."
"Não temos ovo quente, Sr." Disse o atendente.
"Como assim??" Papai replicou.
"Isto mesmo!"
"Então sirva um pouco dessa água fervendo p/ café, aqui neste copo." Papai pediu. "Agora, me dê um ovo, ali, daquela pilha de caixas."
Após receber o ovo, papai colocou o mesmo dentro do copo de água e o balconista exclamou, imagino eu, perplexo: "Ah!! Então você queria um ovo cozido??"
Não sei quanto a vocês, mas existem algumas diferenças entre um ovo cozido e um ovo quente. E meu pai queria um ovo quente!
Thursday, December 28, 2006
Meu pai era um entusiasta! Como raramente se encontra um nos dias de hoje.
Acreditem: achei um papel com a sua letra escrito:
"Pessoas que já foram apresentadas a tecnologia GPS:
- Eduardo Eckenfels
- Sônia Salgado
- ...." E a lista ia crescendo com vários nomes de amigos.
Em 1996 papai gastou uma grana e comprou um GPS Garmin38. Ele, fascinado com a tecnologia, passou a explicar a todos os amigos o princípio de funcionamento (que não é trivial) do aparelho. Ele tinha a maior disposição para passar conhecimentos para frente!
Fazer uma lista como esta, é algo bem obsessivo. Mas eu achei a maior graça quando achei o papel. Demonstra bem o lado professor que papai tinha.
Acreditem: achei um papel com a sua letra escrito:
"Pessoas que já foram apresentadas a tecnologia GPS:
- Eduardo Eckenfels
- Sônia Salgado
- ...." E a lista ia crescendo com vários nomes de amigos.
Em 1996 papai gastou uma grana e comprou um GPS Garmin38. Ele, fascinado com a tecnologia, passou a explicar a todos os amigos o princípio de funcionamento (que não é trivial) do aparelho. Ele tinha a maior disposição para passar conhecimentos para frente!
Fazer uma lista como esta, é algo bem obsessivo. Mas eu achei a maior graça quando achei o papel. Demonstra bem o lado professor que papai tinha.
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